O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, um batalhão da Polícia Militar próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após cumprir pena na sede da Polícia Federal. A mudança foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela condenação do ex-presidente no processo da trama golpista. Familiares e aliados de Bolsonaro defendem sua prisão domiciliar, alegando fragilidade de saúde, e classificam a transferência como um “ambiente prisional severo”.
O filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, afirmou que Bolsonaro não deveria estar em presídio algum, ressaltando que outros presos já foram enviados para prisão domiciliar em casos menos graves. Ele também acusou Moraes de perseguição política e destacou que a eleição de 2026 é decisiva para tentar aprovar anistia e pressionar o STF.
A saúde de Bolsonaro tem sido motivo constante de preocupação. Recentemente, ele precisou deixar temporariamente a prisão para atendimento médico após sofrer uma queda que resultou em traumatismo craniano leve. Desde 2018, o ex-presidente apresenta complicações decorrentes da facada recebida durante a campanha eleitoral e passou por múltiplos procedimentos médicos, incluindo cirurgias para hérnia, desobstrução intestinal e controle de crises de soluços.
Políticos aliados, como os líderes da oposição Rogério Marinho (Senado) e Cabo Gilberto Silva (Câmara), criticaram a decisão de Moraes, afirmando que Bolsonaro sofre “justiçamento” e que criminosos perigosos recebem tratamento mais humano. O senador Esperidião Amin, relator de projeto que reduz penas dos envolvidos na trama golpista, também defendeu prisão domiciliar para Bolsonaro e questionou a autoridade do ministro sobre o cumprimento da pena.
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe, abolição do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada e danos ao patrimônio público. Ele liderou ações que não reconheceram a vitória de Lula nas eleições de 2022 e participou dos ataques aos prédios dos Poderes da República em 8 de janeiro de 2023.