O mercado de carros elétricos encerrou 2025com recordes históricos de emplacamentos, tanto no cenário global quanto no Brasil. Segundo dados da consultoria Benchmark Mineral Intelligence (BMI) e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas mundiais chegaram a 20,7 milhões de unidades. No Brasil, o avanço da transição energética ficou evidente com o salto nos modelos totalmente elétricos.
No mercado nacional, os carros elétricos registraram 80.178 unidades vendidas. O volume representa 36% do total de veículos eletrificados comercializados no país e um crescimento de 30% em relação às 61.615 unidades de 2024.
A expectativa é de nova expansão em 2026, impulsionada pela chegada de mais opções em diferentes segmentos, como Chevrolet Spark e Captiva, Geely EX2, Leapmotor C10 e B10, entre outros.

Europa e China em ritmos distintos
Globalmente, a expansão dos elétricos foi de 20% na comparação anual. A Europa se destacou com crescimento de 33%, somando 4,3 milhões de unidades, e superou a China em ritmo de avanço. Esse desempenho ocorreu mesmo após a União Europeia flexibilizar, em maio, parte das metas de emissões.
Na China, maior mercado do mundo, as vendas de carros elétricos em 2025 totalizaram 12,9 milhões de unidades, alta de 17%. O crescimento mais moderado é atribuído à base elevada de comparação em 2024 e à saturação do mercado interno, o que levou marcas como a BYD a priorizarem exportações em busca de margens de lucro maiores.
América do Norte na contramão
Nos Estados Unidos, o cenário seguiu na direção oposta. Com a posse de Donald Trump e o fim dos incentivos federais, fabricantes como a GM cancelaram contratos com fornecedores de baterias. Para manter o interesse do consumidor, a alternativa encontrada foi apostar nos carros elétricos de autonomia estendida (REEV).
Diferentemente dos híbridos convencionais, modelos como a RAM Ramcharger 1500 e a Ford F-150 Lightning REEV utilizam o motor a combustão apenas como gerador. Assim, mantêm o torque imediato característico dos elétricos, mas reduzem a chamada ansiedade de autonomia — um ponto crítico em regiões com infraestrutura de recarga limitada.
O fim dos créditos fiscais teve impacto direto no mercado norte-americano. As vendas cresceram apenas 1% em relação a 2024. O efeito da nova política foi mais forte no último trimestre, que registrou queda de 49%, após os recordes de agosto e setembro, quando consumidores anteciparam compras antes do encerramento dos incentivos.
Cenário para o “Resto do Mundo”
Fora dos grandes mercados, o crescimento global das vendas de eletrificados chegou a 48%. Na América do Sul, marcas chinesas já respondem por 85% das vendas de eletrificados. No Brasil, o avanço dos carros elétricos em 2025 reflete tanto a ampliação da oferta quanto a instalação de novas plantas produtivas, como as da GWM e da BYD, que iniciam a nacionalização de componentes.
Para 2026, a projeção aponta um cenário desafiador na América do Norte, com estimativa de queda de até 30% nas vendas. Na China, os carros elétricos passarão a pagar 50% do imposto de compra, perdendo a isenção total, o que deve forçar uma nova readequação de preços em todo o segmento.

