China e Finlândia buscam fortalecer papel da ONU em encontro em Pequim

Xi recebeu Orpo no Grande Palácio do Povo, em Pequim, e nos próximos dias também deve se reunir com o primeiro-ministro do Reino Unido

O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou nesta terça-feira (27) o compromisso de Pequim com a Organização das Nações Unidas (ONU) e destacou a intenção de trabalhar em conjunto com a Finlândia para defender uma ordem mundial fundamentada no organismo internacional. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, que iniciou uma visita oficial de quatro dias à China.

“A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, declarou Xi Jinping. A fala ocorre em um contexto de iniciativas internacionais concorrentes, como o “Conselho da Paz”, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltado à resolução de conflitos globais.

Xi recebeu Orpo no Grande Palácio do Povo, em Pequim, e nos próximos dias também deve se reunir com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que começou uma viagem à China e ao Japão nesta segunda-feira, segundo informou o governo britânico.

Embora a China tenha sido convidada a integrar o “Conselho da Paz”, ainda não há confirmação de sua participação na iniciativa americana, que é vista por analistas como potencial concorrente da ONU. Na semana passada, Xi já havia feito apelos semelhantes ao Brasil, destacando a importância de atuar conjuntamente na preservação do “papel central” das Nações Unidas, em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o encontro com Xi, Orpo manifestou interesse em tratar de temas internacionais e estreitar a cooperação bilateral entre Finlândia e China. Apesar disso, os países mantêm divergências em assuntos delicados, como a invasão russa da Ucrânia e a disputa por influência entre grandes potências na região do Ártico.

Em novembro, o ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, acusou a China de financiar de forma significativa o esforço de guerra russo na Ucrânia. Em outubro, Donald Trump e a Finlândia anunciaram um projeto conjunto para construir 11 navios quebra-gelo, reforçando a presença americana no Ártico, região estratégica onde Washington, Moscou e Pequim disputam influência.