Maurício Rotundo, Jales (SP)
A indústria automotiva trabalha com parâmetros ergonômicos rigorosos e, muitas vezes, a sensação de um motorista ao trocar de carro não é fruto de desgaste ou imaginação, mas sim de engenharia pura. É o caso da diferença notável entre a posição de dirigir da VW Saveiro e a do VW T-Cross.
A dúvida, levantada pelo leitor Maurício Rotundo, de Jales (SP), toca em um ponto fundamental da arquitetura veicular moderna: o “H-point” (ponto do quadril ou apenas “ponto H”), que define a altura em que o motorista se senta em relação ao assoalho e ao solo.
Identidade de projeto
Ao comparar dois modelos novos, sem o desgaste natural da espuma dos assentos, a diferença de altura não é um defeito, mas uma característica construtiva. O T-Cross, como todo SUV moderno, vende a premissa do “posto de comando” mais alto, vertical e com maior visibilidade periférica.


Já a VW Saveiro, embora compartilhe a robustez da marca, herda a arquitetura de hatchbacks compactos (derivada da plataforma do Gol). Isso obriga o condutor a uma posição mais esticada e próxima do assoalho, favorecendo uma condução mais conectada à rolagem da carroceria, típica de carros de passeio mais baixos.
A explicação da Volkswagen
A montadora confirma que a percepção física reflete a realidade do projeto. Segundo Ricardo Dilser, gerente de imprensa da Volkswagen do Brasil, as diferenças entre os assentos são calculadas para se adaptar às individualidades de cada carro.
Não se trata apenas de colocar o mesmo banco em carros diferentes. A picape compacta exige uma ergonomia específica, focada na usabilidade de trabalho e lazer com uma cabine mais contida, enquanto o SUV compacto prioriza o espaço vertical e o conforto para viagens familiares. Portanto, o banco da Saveiro é, de fato, mais “afundado” por definição de engenharia.