O escritório de advocacia da família do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski prestou serviços ao Banco Master entre 2023 e agosto de 2025. Durante parte desse período, Lewandowski exercia o cargo de ministro da Justiça no governo Lula.
O ex-ministro deixou o escritório em 17 de janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça. Desde então, a gestão do escritório passou para sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e para o filho do casal, Enrique Lewandowski, que continuaram a atender o Banco Master, um dos clientes da banca.
Segundo a coluna de Andreza Matais, publicada no portal Metrópoles, e confirmada pela Folha, o contrato de consultoria jurídica do banco tinha valor de R$ 250 mil mensais. A publicação ainda revelou que a contratação ocorreu a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Em nota, a assessoria de Wagner afirmou que ele foi consultado sobre um bom jurista e indicou Lewandowski, recém-saído do Supremo Tribunal Federal. “Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”, disse.
Lewandowski, por sua vez, afirmou que após deixar o STF em abril de 2023, voltou à advocacia e prestou serviços para diversos clientes, incluindo o Banco Master. Ele ressaltou que, ao ser convidado por Lula para assumir o Ministério da Justiça em janeiro de 2024, deixou o escritório e suspendeu o registro na OAB, interrompendo todas as suas atividades advocatícias.
O Banco Master também contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, conforme revelou a coluna de Malu Gaspar, no Globo. O contrato, firmado com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, previa remuneração de R$ 3,6 milhões mensais, com validade de 36 meses a partir de 2024, o que poderia resultar em R$ 129 milhões até 2027, caso o banco não tivesse sido liquidado pelo Banco Central.
O acordo incluía a representação do banco perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional, além de organização e coordenação estratégica, consultiva e contenciosa perante o Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. Participam do escritório a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e os dois filhos do casal.
O gabinete de Alexandre de Moraes não comentou os contratos, e as assessorias do Banco Master e do escritório Barci de Moraes também não se pronunciaram.
Em 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, na operação Compliance Zero, que investiga fraudes na emissão de títulos de crédito falsos pelo banco. Ele foi solto no dia 28 de novembro, mas permanece monitorado por tornozeleira eletrônica.