Família Vorcaro envolvida em esquema bilionário de carbono na Amazônia

Os registros indicam que os Vorcaro participam desde a concepção do projeto, que busca explorar créditos de carbono em terras públicas, por meio de fundos administrados pela Reag

A família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master acusado de fraude em fundos de investimento, aparece como investidora em um polêmico projeto bilionário de créditos de carbono na Amazônia, baseado em valores inflados e sem lastro de mercado, segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo.

Os registros indicam que os Vorcaro participam desde a concepção do projeto, que busca explorar créditos de carbono em terras públicas, por meio de fundos administrados pela Reag. Créditos de carbono são certificados comprados por empresas para compensar emissões, mas o caso levantou suspeitas de manipulação, pois a valorização bilionária dos fundos não tinha respaldo em transações reais.

A ligação familiar ocorre por meio da Alliance Participações, controlada por Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel. Segundo contratos, a Alliance passou a deter 80% das unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM), enquanto intermediários e proprietários ficariam com pequenas participações. O projeto foi estruturado para integrar fundos da Reag, incluindo possibilidade de liquidação via tokens de carbono — registros digitais vinculados a créditos ambientais — embora os valores e percentuais não fossem transparentes.

Investigações apontam que o carbono atribuído à Alliance foi transferido para empresas ligadas à estrutura financeira, como Global Carbon e Golden Green, que tiveram patrimônio inflado para sustentar operações de crédito e captar recursos do mercado, sem geração efetiva de receita. A área utilizada para o projeto é terra pública destinada à reforma agrária, impedida de negociação por terceiros, mas auditorias teriam validado valores fornecidos pelas próprias empresas sem checagem independente.

Os fundos Reag, como New Jade 2 e Biguaçu, estão sob investigação na Operação Carbono Oculto, que apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A defesa dos Vorcaro afirma que Daniel não participou da gestão ou modelagem dos fundos e que Henrique e Natália atuaram conforme normas de governança. José Bittencourt, intermediário do negócio, disse que o projeto foi interrompido ainda na fase inicial devido a questões fundiárias, sem envolvimento de Daniel Vorcaro, e mencionou um Termo de Ajustamento de Conduta em andamento junto ao Incra.