Ícone do site Brasil Direto Notícias

Fim da escala 6×1 ganha impulso com reaproximação entre Lula e Hugo Motta

Por Brasil Direto

O governo Lula busca aproveitar a reaproximação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pressionar a tramitação de um projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6×1. A avaliação do Planalto é que a proposta possui forte apelo popular e pode fortalecer a campanha de reeleição do presidente em outubro.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, Motta tende a se aproximar cada vez mais do governo em 2026, tanto para consolidar sua posição à frente da Câmara quanto para ampliar sua influência eleitoral na Paraíba. Nesse contexto, ele retomou o diálogo com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), com quem havia rompido relações durante a crise no final de 2025.

Lindbergh tem conduzido as conversas sobre o fim da escala 6×1, ressaltando que a pauta conta com apoio popular. Para ele, se o presidente da Câmara pautar e ajudar a aprovar a medida, sairia como protagonista. Motta já demonstrou interesse em discutir o tema no final do ano passado, embora sem se comprometer com a aprovação.

No núcleo do governo, há dúvidas sobre a disposição de Motta em enfrentar a pressão do setor empresarial, especialmente do setor de serviços, contrário à mudança. Além disso, mesmo com o apoio do presidente da Câmara, não há garantia de que o projeto será aprovado, dado o menor controle de Motta sobre o plenário em comparação a antecessores, como Arthur Lira (PP-AL).

Para o Planalto, pautar a proposta já representa uma vitória. A medida é vista como uma bandeira natural da esquerda, capaz de pressionar a direita e o centrão diante da opinião pública. O governo também considera que a pauta oferece oportunidade para divulgar nas redes sociais os parlamentares que eventualmente votarem contra ou não apoiarem a mudança.

Para reduzir resistências, o governo avalia a implementação de um período de transição antes que a escala 6×1 seja totalmente abolida. A avaliação é que o momento é favorável na opinião pública, e que adiar a discussão para 2027 poderia comprometer o efeito político da proposta, mesmo em cenário de reeleição de Lula.

A discussão sobre a redução da jornada começou com uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). No entanto, o Planalto decidiu apoiar um projeto de lei, considerado mais rápido de tramitar, já que PECs exigem dois terços dos votos na Câmara e no Senado, enquanto projetos de lei dependem apenas da maioria simples.

O projeto apoiado pelo governo é conduzido pelo deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria. O texto prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias consecutivos de descanso remunerado, sem diminuição de salários. O cronograma de transição estipula que, em 2027, a jornada será de 42 horas e, a partir de 2028, 40 horas semanais.

A proposta de fim da escala 6×1 integra o pacote de prioridades do governo no Congresso, que inclui ainda a MP do Programa Gás do Povo e a PEC da Segurança Pública. O Planalto pretende avançar com essas pautas até meados de junho, antes do período eleitoral de outubro.

Sair da versão mobile