Gleisi Hoffmann ao Senado: Lula antecipa mudanças na SRI e ministérios

Originalmente, Gleisi planejava disputar a Câmara dos Deputados, considerado caminho mais seguro para garantir mais quatro anos de mandato

O presidente Lula (PT) pediu à ministra Gleisi Hoffmann que dispute uma vaga ao Senado pelo Paraná, antecipando o debate sobre quem assumirá a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) a partir de abril. A possível saída de Gleisi abre espaço para ajustes internos no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios.

Originalmente, Gleisi planejava disputar a Câmara dos Deputados, considerado caminho mais seguro para garantir mais quatro anos de mandato. “Estou entusiasmada com a missão que o presidente me confiou”, disse a ministra a interlocutores, embora aliados apontem cautela em relação à candidatura. O PT do Paraná aguarda uma confirmação oficial para definir a chapa majoritária.

Tradicionalmente, o secretário-executivo assume interinamente a pasta quando o ministro deixa o cargo. No caso da SRI, Marcelo Costa, diplomata de carreira, ocuparia a função. No entanto, setores do PT defendem que a articulação política do governo seja conduzida por um nome com peso político. Entre os cotados estão os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação), ambos senadores eleitos em 2022.

Camilo Santana, porém, enfrenta cenário incerto: ele pode disputar o governo do Ceará, caso o atual governador Elmano de Freitas (PT) apresente baixa performance nas pesquisas. Nesse contexto, José Guimarães, líder do governo na Câmara, também surge como opção para a SRI. O deputado, em seu quinto mandato, já demonstrou desinteresse em continuar na Câmara, e assumir a SRI é visto como alternativa estratégica pelo PT.

Lula, segundo interlocutores, pretende acompanhar de perto a eleição de 2026 e interferir na escolha de ministros que deixarão o governo em abril. Na Casa Civil, a secretária-executiva Miriam Belchior deve assumir o cargo, com a saída de Rui Costa, que disputará o Senado ou o governo da Bahia.

O presidente também tem atenção especial à eleição para o Senado, em reação à estratégia da base de Jair Bolsonaro (PL), que visa conquistar maioria na Casa em 2027 para limitar poderes do STF e enfrentar um possível quarto mandato petista.

Entre os ministros que permanecerão no cargo durante a campanha está Guilherme Boulos (PSOL), à frente da Secretaria-Geral da Presidência. “Permanecer até o fim do mandato foi uma das condições que aceitei para assumir”, afirmou Boulos, responsável por articular o governo com movimentos sociais. O general Amaro dos Santos, chefe do GSI, também deve permanecer, por não exercer função política.

Uma das principais ações previstas para o primeiro semestre de 2026 é o programa Governo do Brasil na Rua, que levará serviços de ministérios aos estados e terá peso simbólico na pré-campanha.