Tribunal de Contas fiscaliza BC após decisão de liquidar banco Master

O foco da investigação é avaliar a atuação do BC na supervisão do Master antes de 2024, durante a gestão de Roberto Campos Neto, predecessor de Gabriel Galípolo

O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciará até quinta-feira (15) a inspeção nos documentos que embasaram a decisão do Banco Central de liquidar o banco Master, operação que ocorreu em novembro do ano passado. A análise, conduzida por três técnicos da área de fiscalização de instituições financeiras do tribunal, deve durar entre 15 e 20 dias.

O foco da investigação é avaliar a atuação do BC na supervisão do Master antes de 2024, durante a gestão de Roberto Campos Neto, predecessor de Gabriel Galípolo. O objetivo é reconstruir a evolução do modelo de captação do banco, que se destacou por oferecer CDBs com remuneração acima da média, e verificar se o regulador agiu corretamente diante de eventuais alertas e propostas de mercado, incluindo uma oferta de aquisição feita pelo grupo Fictor pouco antes da liquidação.

Os auditores do TCU terão acesso apenas às informações que não sejam sigilosas, preservando dados bancários e estratégicos do Master. A intenção é garantir formalidade ao processo, evitando futuros questionamentos legais que poderiam resultar em pedidos de indenização por falhas processuais.

A inspeção foi acertada após reunião entre o TCU e o Banco Central, que resultou na retirada de um recurso apresentado pela autoridade monetária contra a decisão do relator do caso. Com isso, não será necessário levar o tema ao plenário do TCU, agilizando a operação.

Segundo o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, a ação tem caráter diligencial e busca fornecer segurança jurídica ao BC, sem interferir na competência do regulador. Após a conclusão da análise, será elaborado um relatório técnico que servirá de base para o voto do relator, ministro Jhonatan de Jesus, e posterior julgamento no plenário da corte.