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Ucrânia em emergência energética: ataques russos deixam Kiev sem luz no pior inverno desde 2022

Por Brasil Direto

O governo ucraniano declarou estado de emergência no setor energético, que enfrenta colapso devido a uma nova onda de ataques aéreos da Rússia. O país atravessa o que é considerado o inverno mais rigoroso desde o início da invasão russa, há quase quatro anos.

O presidente Volodimir Zelenski anunciou a criação de um gabinete de crise com poderes especiais para direcionar recursos a reparos urgentes. Duas ondas de ataques, ocorridas na quinta-feira (8) e na segunda-feira (12), deixaram mais da metade de Kiev sem eletricidade.

A capital será a prioridade inicial dos trabalhos, mas a deterioração das redes se espalha por todo o país, levando o governo a aumentar a importação de energia de países vizinhos. Segundo a consultoria local DiXi Group, em dezembro o volume importado subiu 54% em relação a junho.

A situação é agravada pelas baixas temperaturas. Durante a noite, os termômetros chegam a -20°C, permanecendo negativas durante o dia, o que dificulta os reparos em subestações e linhas de transmissão danificadas por drones e mísseis.

A Rússia afirma que os ataques têm como alvo a capacidade industrial de defesa da Ucrânia, mas o efeito mais visível é o impacto sobre a população, que enfrenta dificuldades crescentes. Moradores de Kiev e Kharkiv recorrem à água do derretimento da neve para consumo, já que bombas e sistemas de distribuição dependem de eletricidade.

O frio e a falta de energia levaram muitos a improvisar lareiras e fogueiras dentro de apartamentos, aumentando o risco de incêndios. Depósitos de gás têm sido atingidos, reduzindo a capacidade de produção e distribuição da estatal Ukrenergo a zero durante os dias de ataque.

O governo estoca madeira para abastecer hospitais e acampamentos militares próximos à linha de frente. Em Kiev, além dos 1.200 abrigos antiaéreos aquecidos, foram montados 68 pontos com geradores para que a população possa se aquecer e recarregar celulares.

“As consequências dos ataques russos e da degradação das condições do tempo são severas”, afirmou Zelenski em rede social.

O presidente nomeou o vice-premiê Denis Chmial como novo ministro da Energia, conferindo-lhe poderes extraordinários. Alterações nas regras do toque de recolher podem ser aplicadas em algumas cidades para proteger os cidadãos. Chmial deixou seu cargo na pasta da Defesa para Mikhailo Fedorov, de 34 anos, tecnocrata com experiência em modernização tecnológica, cuja nomeação recebeu críticas de blogueiros militares ucranianos.

Enquanto isso, negociações para encerrar o conflito avançam lentamente. A agência Bloomberg informou que o negociador americano Steve Witkoff viajará em breve a Moscou para apresentar uma versão revisada do plano de Donald Trump, com ajustes pró-Kiev, ao presidente Vladimir Putin. A chancelaria russa não confirmou o encontro, mas indicou abertura para negociações. O ponto mais delicado do plano é a proposta de criar uma força de paz europeia para supervisionar um possível cessar-fogo, que Putin ainda não aceita.

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