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UE e Mercosul: acordo de 26 anos finalmente é aprovado

Por Brasil Direto

A União Europeia decidiu avançar com o acordo de livre-comércio com o Mercosul após conseguir formar uma maioria qualificada entre os Estados-membros, encerrando semanas de impasse político em Bruxelas, segundo informações da AFP. A medida abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje nos próximos dias ao Paraguai — atual presidência rotativa do Mercosul em 2026 — para oficializar a assinatura do tratado.

O aval europeu ocorre após intensas negociações internas, que buscaram superar a resistência de países como França e Itália. Os dois governos vinham questionando o acordo, alegando que ele não oferecia garantias suficientes ao setor agrícola europeu. Pressões adicionais vieram de agricultores, que promoveram protestos e bloqueios em diversos países, influenciando diretamente o debate.

Para destravar a votação, a Comissão Europeia apresentou um pacote de medidas voltadas à agricultura, incluindo o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios do próximo orçamento da Política Agrícola Comum. Esse valor integra um total de 293,7 bilhões de euros destinados ao setor e foi determinante para que a Itália retirasse sua objeção ao acordo.

Com a mudança de posição italiana e apesar das críticas contínuas da França, os embaixadores dos 27 países da UE reunidos em Bruxelas consideraram que não existia mais uma minoria capaz de bloquear o tratado, abrindo caminho para sua aprovação.

Negociado ao longo de 26 anos, o acordo é considerado um dos mais ambiciosos já firmados pela União Europeia. Ele estabelece uma ampla zona de livre-comércio entre a UE e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — reunindo um mercado de mais de 720 milhões de consumidores e economias que, juntas, somam cerca de 22,3 trilhões de dólares em Produto Interno Bruto.

A expectativa é que a assinatura do acordo represente uma nova etapa nas relações comerciais entre Europa e América do Sul, embora debates políticos e pressões internas ainda devam marcar sua implementação plena.

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