A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta terça-feira (20) que a União Europeia responderá de forma “inabalável” e “proporcional” às repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo a Groenlândia e possíveis tarifas sobre produtos europeus. A afirmação foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
“Mergulhar em uma espiral descendente só ajudaria os próprios adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do cenário estratégico. Portanto, nossa resposta será inabalável, unida e proporcional”, afirmou von der Leyen.
Entre as medidas em estudo pela UE está a aplicação de tarifas retaliatórias sobre 93 bilhões de euros (cerca de R$ 581 bilhões) em produtos americanos, que poderiam entrar em vigor a partir de 6 de fevereiro. Outra opção considerada é a ativação do Instrumento Anti-Coerção (ACI), uma ferramenta ainda não usada que permite restringir acesso a contratos, investimentos e serviços, incluindo setores em que os EUA têm superávit, como serviços digitais.
Enquanto isso, Trump reafirmou seu interesse estratégico na Groenlândia e escreveu em sua rede Truth Social: “A Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e global. Não há como voltar atrás”. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizou o impacto de um possível conflito comercial sobre o custo de vida americano, afirmando que “as tarifas foram o cão que não latiu em termos de aumentos de preços”.
Em Davos, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se ofereceu para mediar as negociações, criticando a ameaça de Trump de impor tarifas de 10% sobre importações de diversos países europeus. “A perspectiva de tarifas mais altas para aqueles que contribuem para a segurança da Groenlândia é, na minha opinião, um erro, e obviamente não compartilho dessa posição”, disse Meloni.
Além disso, os ministros das Finanças da Alemanha e da França reforçaram que as potências europeias não aceitarão chantagens e reagirão de maneira unida e firme.
O pacote de 93 bilhões de euros, aprovado em 2022 e suspenso após um acordo parcial com os EUA, voltou ao debate. Entre os produtos listados estão aviões da Boeing, automóveis, uísque bourbon, soja, maquinário, dispositivos médicos, produtos químicos, plásticos e equipamentos elétricos, escolhidos para causar impacto significativo nos EUA sem prejudicar a UE.
O ACI, adotado em 2023, é considerado a “bazuca comercial” da União Europeia. Ele permite, entre outras ações, limitar o acesso de empresas americanas ao mercado europeu, revogar direitos de propriedade intelectual e restringir contratos governamentais. Porém, a aplicação exige investigação, negociações e aprovação da maioria ponderada dos Estados-membros, o que torna o processo lento.