O cofundador da Microsoft, Bill Gates, reconheceu ter se envolvido em relacionamentos extraconjugais com duas mulheres russas durante seu casamento com Melinda French Gates e pediu desculpas por sua associação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, assegurando, entretanto, que não cometeu nenhuma ilegalidade.
Segundo reportagem do The Wall Street Journal, Gates afirmou a funcionários de sua fundação, na terça-feira (24), que chegou a voar em um avião particular de Epstein e passou algum tempo com ele nos Estados Unidos e no exterior, mas negou qualquer participação em crimes. “Não fiz nada de ilícito. Não vi nada de ilícito”, disse Gates. Ele reforçou que nunca passou tempo com as vítimas de Epstein.
O bilionário admitiu que manteve dois casos extraconjugais durante o casamento de quase 30 anos, que terminou em divórcio em 2021. “Tive casos extraconjugais, um com uma jogadora de bridge russa que conheci em eventos de bridge e outro com uma física nuclear russa que conheci por meio de atividades comerciais”, declarou.
Documentos revelados mostram que Epstein, em e-mails enviados a Boris Nikolic — conselheiro de Gates para ciência e tecnologia —, mencionou essas mulheres, alertando sobre riscos de repercussão pública e impactos nas doações da fundação. Em outro e-mail, Epstein indicou que Nikolic teria auxiliado Gates com medicamentos “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas”.
Gates também reconheceu que seu vínculo com Epstein afetou pessoas dentro da Fundação Gates. “Peço desculpas a outras pessoas que foram envolvidas nisso por causa do erro que cometi”, afirmou, destacando que suas ações estavam “em desacordo com os valores e objetivos da fundação”. Um porta-voz da organização confirmou à BBC que Gates “falou com franqueza e assumiu a responsabilidade por suas ações”.
Documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA, no final de janeiro, incluem mais de 3 milhões de arquivos ligados a Epstein, entre vídeos e imagens de conteúdo pornográfico. Entre os nomes citados nos arquivos estão figuras dos mundos da arte, negócios, esporte e política, incluindo Gates. Contudo, a presença de seu nome nos registros não indica qualquer acusação formal ou envolvimento em atividades criminosas.
Jeffrey Epstein morreu em 2019, em sua cela em Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento por exploração sexual, em circunstâncias envolvendo um lençol amarrado ao pescoço.