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Caça dos EUA derruba drone iraniano e Guarda Revolucionária persegue petroleiro

Por Brasil Direto

Em meio à expectativa por negociações consideradas decisivas para evitar uma nova escalada militar no Oriente Médio, um episódio elevou novamente a tensão na região. Um drone de vigilância iraniano foi derrubado por um caça F-35C da Marinha dos Estados Unidos após se aproximar do porta-aviões USS Abraham Lincoln, principal símbolo do aparato militar mobilizado pelo governo Donald Trump contra o Irã.

A informação foi divulgada pela agência Reuters e confirmada pela Casa Branca. O porta-aviões opera desde a semana passada no norte do mar da Arábia, nas proximidades de Omã, a cerca de 800 quilômetros do território iraniano.

O equipamento abatido era um Shahed-139, versão mais moderna do drone iraniano amplamente utilizado em missões de reconhecimento e que não possui armamento. Já o F-35C, variante naval do caça de quinta geração, realizava patrulhamento aéreo a partir do próprio porta-aviões.

No mesmo dia, outro incidente envolvendo forças iranianas foi registrado na região. Seis lanchas rápidas da Guarda Revolucionária do Irã, armadas com metralhadoras de grande calibre, perseguiram um petroleiro de bandeira americana no estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito global.

Segundo as agências de segurança marítima UKTMO e Vanguard, o navio M/T Stena Imperative, de propriedade dinamarquesa, seguia dos Emirados Árabes Unidos em direção à base naval dos Estados Unidos no Bahrein quando foi abordado pelas embarcações iranianas. Após tentativas de comunicação por rádio, o petroleiro aumentou a velocidade e conseguiu escapar da perseguição. Posteriormente, recebeu escolta de um navio de guerra americano.

As agências destacaram que o petroleiro navegava por águas internacionais e não chegou a ingressar no território marítimo iraniano.

Os dois episódios aumentam o grau de tensão no Golfo Pérsico, justamente em um momento em que havia sinais de retomada diplomática entre Washington e Teerã. Está previsto para sexta-feira (6) o primeiro encontro direto entre representantes dos dois países em uma década, marcado inicialmente para Istambul.

A delegação americana seria liderada por Steve Witkoff, enviado especial de Trump, que nesta terça-feira esteve em Israel discutindo a crise com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e autoridades militares e de inteligência. Pelo lado iraniano, o chefe da delegação seria o chanceler Abbas Araghchi.

No entanto, a realização da reunião já enfrenta incertezas. Informações divulgadas pelos veículos Axios e por fontes da imprensa árabe indicam que o Irã deseja transferir o local do encontro para Omã e restringir a presença de representantes de outros países, como Turquia e monarquias do Golfo.

Nesta terça, Araghchi manteve conversas com autoridades de Omã, Turquia e Qatar, país com o qual Teerã mantém relações diplomáticas estáveis.

A atual crise ganhou força após uma onda de protestos contra o regime islâmico iraniano no início do ano. A repressão às manifestações, que segundo ativistas deixou mais de 5 mil mortos, foi duramente criticada por Trump, que inicialmente sinalizou apoio aos manifestantes.

Posteriormente, o presidente americano intensificou a presença militar dos EUA no Oriente Médio, enviando o grupo de ataque do Abraham Lincoln, além de navios de guerra, submarinos e aeronaves. Com o reforço militar consolidado, Trump voltou a adotar um discurso mais agressivo, direcionando suas críticas ao programa nuclear iraniano.

Em junho, ao apoiar a ofensiva de 12 dias de Israel contra o Irã, os Estados Unidos bombardearam instalações estratégicas ligadas ao desenvolvimento nuclear iraniano. Após uma trégua instável, não houve avanços significativos para retomar negociações que impeçam Teerã de desenvolver uma arma nuclear.

O acordo firmado entre 2015 e 2018, que previa o abandono do programa nuclear em troca do fim de sanções, foi abandonado por Trump, que o considerava insuficiente. Desde então, nem mesmo durante o governo Joe Biden houve consenso para um novo pacto. A guerra iniciada após o ataque do Hamas a Israel, em 2023, e os protestos internos no Irã recolocaram o tema no centro da agenda internacional.

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