Carro blindado: veja os preços, níveis de proteção e como escolher o nível de proteção

Antes de adquirir um carro blindado, a primeira coisa a se pensar é quais são suas prioridades e  expectativas. Se faz questão de materiais com a tecnologia mais avançada e refinada, você pagará por isso. Se a prioridade é obter mais segurança com o menor investimento possível, você provavelmente dirigirá um carro mais pesado. Em qualquer caso, todos os produtos utilizados são de uso controlado pelo Exército, que também regulamenta o funcionamento das empresas blindadoras e é responsável por autorizar cada nova blindagem de veículo, individualmente.

Há vários níveis de blindagem, que vão do I até o III (com algumas subdivisões acompanhadas da letra “A”), de acordo com a arma e o calibre que são capazes de barrar. Mais acessível financeiramente, a de nível I ficou famosa pelo projeto Armura, lançado pela empresa DuPont, em 2008. Mas, como ela só protege contra projéteis de calibre .22 e .38, hoje é bem menos procurada, assim como as de nível II e II-A (que caíram em total desuso).

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O custo de uma blindagem pode variar de R$ 60.000 a R$ 400.000, dependendo do carro e do nível de proteção pretendidoRamon Costa/Quatro Rodas

Atualmente, mais de 90% das blindagens brasileiras são feitas para o nível III-A, por sua boa relação custo/benefício diante das outras e por garantir proteção contra todas as armas curtas, entre pistolas e revólveres, além de submetralhadoras 9mm. Já o nível III, o mais alto permitido para civis no Brasil, exige requerimento especial ao Exército (justificado por risco de atentado, por exemplo) e protege também contra armas longas, entre fuzis e metralhadoras.

Na Concept Be Safe, por exemplo, a blindagem de nível I custa por volta de R$ 60.000. Já a de nível III-A varia de R$ 80 a R$ 150.000, dependendo do veículo e do projeto. E, neste ano, a empresa viu crescer a procura pelo nível III, cujo preço fica entre R$ 280 e R$ 400.000 – ainda assim, produziu, em 2025, apenas cinco carros desse tipo.

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“De forma prática, podemos separar a blindagem entre transparente e opaca. A transparente são os vidros, que é o que mais pesa no automóvel. A opaca é aquilo que a gente não vê e vai adaptado no interior do veículo. É com ela que se precisa ter mais critério e cuidado”, afirma Fabio Rovedo de Mello, diretor de assuntos institucionais da Concept.

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Rafa Franco/Quatro Rodas

Na III-A, a parte opaca é feita com manta de aramida, além de aço em pontos estratégicos, como colunas estruturais do veículo e nos chamados “overlaps”, sobreposições feitas para que não haja vãos entre os materiais. Hoje em dia, esse aço pode ser substituído pelo Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular (UHMWPE), moderno plástico que torna a blindagem bem mais leve  – e mais cara.

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Na hora de escolher a blindadora, é importante investigar o histórico da empresa, visitar a fábrica e tirar todas as dúvidas sobre seus projetos e seus processos, que variam muito de uma para outra. “Os materiais e as empresas são certificados pelo Exército, mas ninguém fiscaliza sua aplicação”, observa Guido Muzio Candido, pesquisador do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

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Antes de contratar uma blindadora, é importante visitar as instalações e pesquisar a reputação da empresa no mercadoMarcelo Gomes/Quatro Rodas

Foi essa lacuna que inspirou a tese de doutorado de Candido, na qual ele criou a metodologia DfA2 – Projeto para Montagem e Blindagem, que propõe um padrão de qualidade para tais processos. Durante a pesquisa, ele visitou dez grandes blindadoras de São Paulo para conhecer suas melhores práticas. Segundo o engenheiro, detalhes de execução podem interferir positiva ou negativamente na eficiência e na conservação da proteção balística. “O sistema de blindagem tem que conversar com o sistema automotivo; é preciso saber onde e como colocar cada peça.”

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Atualmente, Candido se dedica a um pós-doutorado sobre blindagem de veículos elétricos, outro setor que vem crescendo no Brasil. A própria blindadora Concept inaugurou, no mês de março, em Sumaré (SP), uma fábrica dedicada a blindar exclusivamente veículos eletrificados.

“Esse tipo de trabalho precisa ser muito bem orientado, especializado e seguir as Normas Automotivas de Alta-Tensão, porque a energia que passa ali é superperigosa”, diz Adriano Rufino, diretor de mobilidade urbana na Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). “O centro gravitacional está embaixo e há um acréscimo (de peso) devido às baterias, que ficam no assoalho. Então, é importante fazer uma blindagem de tecnologia mais fina”, diz o especialista.

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Funcionário da
Marco de Bari/Quatro Rodas

Definido o projeto e escolhida a empresa, é preciso entregar a documentação à blindadora – incluindo o Termo de Idoneidade, que atesta que o comprador não responde a processos criminais – para que seja emitida pelo Exército a Autorização de Blindagem (AB), em um processo que costuma levar de nove  a dez dias úteis, segundo Andreia Canassa Volpato, fundadora da Proacta Assessoria Documental. Concluído o serviço, será emitida a Declaração de Blindagem (DB), documento que acompanha o veículo por toda a sua vida.

Mesmo que um blindado já pronto seja adquirido zero-km de uma concessionária, o comprador deve providenciar toda a documentação solicitada, incluindo o Termo de Idoneidade. Após receber o carro, acompanhado da AB e da DB, cabe ao proprietário regularizar tudo no Detran, para que o termo “blindado” conste no campo “modificação” do documento do veículo, o que pode ser feito com ou sem a ajuda de um despachante.

 

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