Cada vez mais populares, as picapes compactas são uma alternativa viável para solteiros e casais sem filhos, com apenas uma ressalva: favoritas dos jovens, sempre carregaram um pesado valor de seguro. A exceção era a segunda geração da Chevrolet Montana, que estreou na linha 2011 e seguiu em produção até 2021.
Derivada do Agile, esta Chevrolet Montana não tinha a harmonia de linhas da primeira geração, que encantou os brasileiros de 2004 a 2010. E, por mais incrível que possa parecer, era baseada na plataforma GM 4200 da antiga Corsa Pick-up, vendida entre 1995 e 2003.

A carinha bonitinha e simpática do Corsa deu lugar a uma imagem mais abrutalhada. O visual robusto era necessário para suprir a lacuna que seria deixada pela decana S10, que estava prestes a ganhar uma nova geração – que segue à venda até os dias atuais. A engenharia da Chevrolet fez um bom trabalho: capaz de carregar 758 kg, ela superava não só a geração anterior como também toda a concorrência contemporânea.

O forte motor 1.8 era coisa do passado. Assim como no Agile, era preciso se contentar com o valente, porém limitado, motor 1.4 EconoFlex, apenas suficiente para sua proposta. Para explorar melhor o pequeno propulsor, o conta-giros vinha de série na versão básica LS, que traz só vidros verdes, ar-quente, protetor de cárter e banco do motorista com regulagem de altura de série.

A caçamba de 1.100 litros mantém o degrau lateral (step side) e o protetor de polietileno. Os opcionais mais comuns da versão LS da Montana são direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos. Havia ainda a opção de computador de bordo, rodas de liga leve aro 15, freios ABS e airbags.
A versão Sport acrescenta sensor crepuscular, piloto automático e rádio com Bluetooth e entrada auxiliar. O visual era arrematado pelas barras no teto, maçanetas e retrovisores na cor da carroceria e faróis de neblina. Mesmo nesta configuração topo de linha, o acabamento interno do utilitário decepciona pela simplicidade.

Por força de lei, freios ABS e airbags passaram a ser itens de série apenas na linha 2014, que trouxe também um novo volante com base achatada, painel com iluminação branca e tampa do porta-luvas com chave. As rodas de liga leve aro 16 eram exclusivas da versão Sport, que saiu de linha em 2020.

A Chevrolet Montana 2017 trouxe como principal novidade uma atualização mecânica focada na eficiência energética, como pneus com baixo atrito, rolamentos e freios menos restritivos, indicador de troca de marchas no painel e apêndices aerodinâmicos, recebendo o selo “Eco” na tampa traseira. A partir da linha 2018 houve a adição de computador de bordo e saias laterais em todas as versões (LS e Sport). Em 2019, a picape perdeu a capota marítima, que era de série até então.

Se você precisa de uma picape para o trabalho, a Chevrolet Montana é uma das melhores opções. Confiável e robusta, ela fica pouco tempo na oficina, pois é fácil de reparar e apresenta peças disponíveis para pronta entrega. Só não espere muita emoção, pois o visual e o motor não colaboram com quem busca uma picape leve, ágil e de perfil esportivo para o uso urbano.
Fique de olho

Por ser um veículo utilitário, avalie com cuidado o estado da caçamba, da suspensão e da embreagem. Uma boa análise visual e dinâmica é capaz de identificar um protetor trincado, amortecedores vencidos e desgaste excessivo do material de fricção patinando.
Problemas e defeitos da Chevrolet Montana
Sistema de ignição: A Montana apresenta os mesmos problemas de ignição do Agile, indicados pelo piscar sucessivo da luz de anomalia no painel e falhas intermitentes no motor. Quase sempre a culpa é da bobina, que custa cerca de R$ 460 na rede autorizada.

Coxins do motor: Quando danificados, eles causam trepidações indesejadas, que geralmente são confundidas com o fim da vida útil da embreagem. Basta uma inspeção visual rápida para constatar sua integridade. Caso seja necessário, o reparo é simples e rápido.
Cabeçote: Uma falha no tratamento térmico provocou a substituição das válvulas pela rede autorizada, como mostra o boletim técnico IT 030G/13. O sintoma é a perda súbita de torque e potência durante a condução.
Recall 1: Em 2011, um erro de estamparia causou problemas de fixação do braço da suspensão dianteira esquerda, com risco de soltura do componente. Foram convocados carros com chassi de CB121364 a CB129575.
Recall 2: Em dezembro de 2012, 7.873 picapes foram convocadas para uma inspeção e possível troca das mangueiras da linha de combustível. O chamado engloba veículos com número de chassi DB152440 a DB205070, produzidos entre 19 de setembro e 23 de novembro de 2012.

Preço médio das Chevrolet Montana usadas (FIPE)
| Modelo | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| LS | R$ 33.851 | R$ 37.471 | R$ 40.145 | R$ 42.402 | R$ 43.863 | R$ 46.468 | R$ 48.689 | R$ 49.907 | R$ 51.155 | R$ 53.569 | R$ 61.088 |
| Sport | R$ 40.010 | R$ 41.011 | R$ 43.515 | R$ 47.288 | R$ 48.506 | R$ 52.663 | R$ 53.980 | R$ 55.330 | R$ 57.167 | R$ 58.597 | – |
Preço das peças da Chevrolet Montana
| Peça | Original | Paralelo |
|---|---|---|
| Para-choque (dianteiro) | R$ 1.080 | R$ 451 |
| Farol (cada um) | R$ 869 | R$ 465 |
| Retrovisor (cada um) | R$ 352 | R$ 150 |
| Disco de freio (par) | R$ 357 | R$ 150 |
| Pastilhas de freio (jogo) | R$ 86 | R$ 42 |

A voz do dono
“A Montana agrada pelo custo-benefício: ela é barata, confiável, econômica, fácil de reparar e tem valor de seguro moderado. Tem boa estabilidade vazia ou carregada, mas o motor não dá conta do recado principalmente com o ar-condicionado ligado. Boa para o trabalho, mas não tanto para o lazer.” – Rodrigo Boaventura, 38 anos, comerciante, São Paulo (SP)
O que eu adoro: “Ela é a melhor na capacidade de carga, no tamanho da caçamba e no espaço da cabine. Ótimo desempenho na cidade e na estrada, com robustez e baixo consumo.” – João Gabriel Bruno, 63 anos, administrador, São João da Boa Vista (SP)
O que eu odeio: “Ela é rústica demais e sofre quando está carregada ou com o ar ligado. O interior traz plásticos de qualidade inferior e os engates do câmbio poderiam ser melhores.” – André Ricardo Morais, 37 anos, administrador de redes, Niterói (RJ)
Nós dissemos – Outubro de 2010

Confira o teste na edição: “Em nosso teste, a picape se revelou segura, estável e até mais confortável que a antecessora. (…) Nos testes, ela conseguiu um desempenho próximo ao do Agile, apesar de ligeiramente mais pesada (o Agile LTZ pesa 1.075 kg e a Montana Sport, 1.152). Na aceleração, os dois cravaram 12,8 segundos no 0 a 100 km/h.”
“Em comparação à antiga Montana, que (…) fez 12 segundos na mesma prova, a nova foi um pouco mais lenta. No consumo, as médias foram de 6,8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, enquanto o Agile conseguiu 7,5 e 9,7 km/l e a Montana antiga, 7,2 e 9,8 km/l, respectivamente, com álcool.”
Pense também numa Fiat Strada

A rival Fiat Strada oferece uma maior variedade de cabines (simples, estendida e dupla), motores e versões de acabamento. A mais simples é a rústica Fire com motor 1.4 e cabine simples ou estendida. A intermediária Trekking traz a direção hidráulica como item de série e motores 1.8 (Powertrain) e 1.6 (E.torQ) opcionais.
A Adventure é a configuração topo de linha, destacando-se pelo visual fora de estrada, opção de cabine estendida ou dupla e motores 1.8 (Powertrain ou E.torQ). Vale lembrar que, em todas as versões da Strada usada da mesma época, airbags e freios ABS sempre estiveram disponíveis como equipamento opcional antes da obrigatoriedade.