China cria regras rígidas para acabar com carros novos muito baratos

O governo chinês divulgou na última quinta-feira (12) as “Diretrizes para o Cumprimento das Normas de Preços na Indústria Automobilística”. A nova regulamentação tem o objetivo de frear a guerra de preços que se intensificou nos últimos anos entre as montadoras locais. A principal medida apresentada pela Administração Estatal de Regulação de Mercado proíbe, de forma explícita, a prática de preços desleais.

O novo guia foi elaborado com base na realidade atual do desenvolvimento da indústria e busca esclarecer os limites do comportamento aceitável. Segundo o texto divulgado pelo governo da China, a norma visa “unificar as regras regulatórias e orientar fabricantes e vendedores de automóveis a operarem de forma legal e em conformidade com a legislação”.

O objetivo final é promover uma ordem de mercado caracterizada por produtos de alta qualidade, preços justos e concorrência saudável. A regulamentação também ataca outros problemas do setor, como a falta de clareza na exibição de valores e as promoções enganosas.

China: principal mercado e polo exportador para várias marcas do Ocidente
China: principal mercado e polo exportador para várias marcas do OcidenteHenrique Rodriguez/Quatro Rodas

A administração ressalta que a indústria automotiva é um pilar vital da economia nacional, com uma cadeia industrial longa e intimamente ligada à vida dos consumidores, mas que enfrenta irregularidades atualmente.

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Dados da Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis apontam que a guerra de preços causou uma perda de produção de até 471 bilhões de yuans (pouco mais de R$ 350 bilhões) nos últimos três anos.

O cenário afetou o desempenho comercial. As vendas apresentaram a maior queda em dois anos durante janeiro de 2026, com um recuo de 19,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo a CTV News.

Ano de corte

Analistas de mercado preveem que 2026 será um ano de corte para a indústria de carros elétricos na China. Após anos de expansão desenfreada, cerca de 50 fabricantes de veículos elétricos que operam no vermelho enfrentam pressão máxima para reduzir operações ou encerrar as atividades.

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Pela primeira vez desde 2020, o mercado chinês deve apresentar retração. O Deutsche Bank projeta uma queda de 5% nas entregas totais de veículos em 2026. O JPMorgan é igualmente pessimista, prevendo recuo entre 3% e 5% nas vendas gerais, somando modelos a combustão e elétricos.

A saída para os fabricantes chineses será o mercado externo, como o Brasil. Esses mercados devem apresentar um crescimento de 13% em 2026, segundo o Deutsche Bank, adicionando pelo menos 750.000 unidades ao volume exportado.

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