Adrian Alexander Conejo Arias, pai do pequeno Liam Conejo Arias, de cinco anos, relatou que seu filho, desde a experiência traumática pela qual passaram, tem acordado aterrorizado durante a noite, chorando com medo de que a família seja separada novamente. O pai e o filho haviam sido detidos pelo ICE por mais de uma semana, um período que deixou marcas profundas na criança.
Segundo Adrian, a criança não é mais a mesma desde que passaram pela detenção. Ele contou que Liam o chama desesperado durante a noite e, ao acordar, diz repetidamente “Papai, papai”, o que obriga Adrian a ir até ele para confortá-lo. O pai explicou, em entrevista ao site Noticias Telemundo, que, ao retornar para Minneapolis no sábado, depois de uma ordem de libertação do juiz federal, Liam estava com febre e tossia constantemente. Durante a prisão, Adrian passava grande parte do tempo tentando acalmar o filho, contando-lhe histórias e relembrando os momentos felizes que passaram juntos.
Adrian também falou sobre o impacto psicológico da detenção no filho, que, assombrado, frequentemente perguntava sobre o que haviam feito de errado. Sem saber o que dizer, o pai apenas abraçava Liam e tentava assegurar-lhe que tudo ficaria bem. Ao ser questionado sobre como explicaria para o filho o que aconteceu, Adrian disse que contaria que Liam se tornou um símbolo de esperança e mudança. Para o pai, o filho foi a “figura global” que fez com que as vozes de todas as pessoas, especialmente as crianças, fossem ouvidas, em uma clara referência à luta contra as separações familiares promovidas pela política de imigração do governo Trump.
A família, originária do Equador, foi libertada do Centro Residencial Familiar do Sul do Texas. Após a liberação, viajaram mais de 2.300 quilômetros para retornar ao seu lar em Minneapolis. O caso gerou ainda mais polêmica no debate sobre as políticas de imigração dos Estados Unidos, especialmente durante o governo de Donald Trump.
Liam foi detido junto com seu pai no dia 20 de janeiro, logo após voltar da pré-escola. Na ocasião, ele estava com um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha. Junto a ele, outros três alunos da rede pública de Minneapolis também foram detidos. Zena Stenvik, superintendente da rede de Escolas Públicas de Columbia Heights, relatou que um adulto que morava com eles tentou, sem sucesso, convencer os agentes do ICE a deixar Liam com ele.
O ICE, por meio da porta-voz Tricia McLaughlin, afirmou que a operação tinha como alvo exclusivamente o pai de Liam, e que, embora a criança estivesse presente, a detenção não visava a criança em si. Segundo o relato, enquanto o pai foi detido, um agente ficou com Liam para garantir sua segurança. No entanto, Stenvik questionou a necessidade de prender uma criança de cinco anos, especialmente considerando que a família estava dentro da legalidade dos Estados Unidos e possuía um processo de asilo ativo, sem nenhuma ordem de deportação.