Lideranças do centrão avaliam que os conflitos públicos dentro do PL, especialmente envolvendo a família Bolsonaro, complicam as negociações de alianças do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e prejudicam a imagem de moderação que ele tenta transmitir.
Nos últimos dias, os irmãos de Flávio protagonizaram ataques a figuras centrais do partido. Eduardo Bolsonaro criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto Carlos Bolsonaro discutiu com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Desde que Flávio foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto, em dezembro, ele enfrenta tensão familiar e distanciamento de Michelle, que não participou do processo decisório e quer ter mais influência na sigla.
Aliados afirmam que Flávio reconhece os problemas e busca centralizar o comando do partido, especialmente após viagens internacionais ao Oriente Médio, Europa e Estados Unidos, período em que a direita ficou menos organizada no Brasil. Ele pretende retomar o controle, organizar a hierarquia interna e mediar conflitos familiares, como os desentendimentos entre Eduardo e Nikolas e entre Carlos e Valdemar.
Flávio e Nikolas estarão juntos na manifestação bolsonarista do próximo domingo (1º) em um gesto de unidade, após críticas de Eduardo sobre dedicação à campanha. Quanto a Michelle, aliados afirmam que o senador deve atuar com cautela, dando tempo à ex-primeira-dama antes de incluí-la formalmente na campanha.
As disputas familiares, embora antigas, têm impacto negativo na campanha, mas aliados minimizam a situação, ressaltando que Flávio precisa do apoio de Michelle e Nikolas para viabilizar sua candidatura.
Críticas recentes
Em entrevista ao SBT News, Eduardo afirmou que o apoio de Michelle e Nikolas está “aquém do desejável”, enquanto Nikolas rebateu, destacando prioridades políticas mais amplas, como a defesa do pai preso e a atuação do STF e do governo Lula.
Já Carlos e Valdemar se desentenderam sobre a indicação de candidatos ao Senado, com Carlos sugerindo que o ex-presidente estaria sendo isolado do processo decisório. Valdemar, por sua vez, reafirmou que Bolsonaro mantém a palavra final apenas nas indicações ao Senado, enquanto o partido participa das demais escolhas.