Os SUVs “de verdade” (4×4, suspensão robusta, chassi de longarinas e etc.) andavam cada vez mais raros no Brasil, mas agora está acontecendo uma ressurgência desses modelos, com as marcas chinesas entrando nesta categoria de veículos, aproveitando as picapes para construir utilitários derivados, que usam chassi de longarinas e real capacidade off-road.
A GWM foi a primeira a se lançar nesse terreno, começando com o lançamento do Tank 300 e agora com o Haval H9, que será um dos primeiros carros da marca a serem montados na fábrica da empresa em Iracemápolis (SP), junto com a picape Poer P30 (com quem compartilha plataforma) e o Haval H6.

Por R$ 329.000, o utilitário parece ser uma pechincha comparado a seus rivais diretos com o mesmo porte e tipo de construção: Chevrolet Trailblazer High Country (R$ 411.990), Mitsubishi Pajero Sport Legend Black (R$ 432.990), Toyota SW4 Diamond (R$ 475.990) e, por que não, GWM Tank 300 (R$ 339.000).
O H9 vem como uma proposta mais conservadora do que o parente híbrido plug-in Tank 300. O Haval é um SUV com motor diesel como os seus rivais, no caso um 2.4 turbo de 184 cv e 48,9 kgfm, combinado a uma transmissão automática de nove marchas. Ele tem o que se espera de um carro off-road: tração 4×4 com reduzida e bloqueio dos diferenciais dianteiro e traseiro.



Ele é o menos potente do segmento, o que impacta na aceleração de 0 a 100 km/h, precisando de 13,4 segundos, 1,3 s a mais do que o Pajero Sport, por exemplo. Além disso, ele traz alguns pontos que ainda precisam ser ajustados. É o caso da direção: seu volante responde bem, porém tem um diâmetro um tanto grande demais e poderia transmitir mais peso em algumas situações.
Outro ponto é o pedal do freio, que apresenta a mesma modularidade longa do Haval H6, até o modelo 2025, embora o H9 tenha o mesmo atuador eletrônico conjugado ao servofreio, que foi incorporado ao H6 na linha 2026, para mitigar esse problema.

No asfalto, o H9 não vai emocionar ninguém, mas, na terra, ele é outra história. Sua geometria de suspensão é bem adaptada ao off-road, com ângulos de 31o (ataque), 25o (saída) e o vão livre de 22,4 cm, que evitam que a carroceria toque o solo, na maioria das situações.


Durante nosso teste, o H9 encarou uma estrada arenosa e com desníveis acentuados, passando por tudo como se estivesse passeando em chão batido. A condução é silenciosa na terra, graças ao isolamento acústico, mas também à suspensão que filtra bem as irregularidades, ao mesmo tempo que cuida de manter a carroceria equilibrada. A fábrica diz que as suspensões são do tipo duplo A, na dianteira, e eixo rígido 5-link, na traseira, o que pode levar a crer que sejam independentes nos dois eixos (por conta do 5-link), mas só há independência na dianteira.



O conforto e a segurança a bordo são reforçados pelos equipamentos de fábrica. O H9 traz seis airbags, piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência, faróis full-led, rodas de 19 polegadas, sistema de som com dez alto-falantes e subwoofer, teto solar panorâmico, ar-condicionado de três zonas, quadro de instrumentos digital de 10,25” e central multimídia de 14,6” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Para levar nota 10, a cabine só precisava de um padrão de acabamento melhor, sem usar plástico rígido nas portas ou em parte do painel. Lembrando que o H9 é um SUV de verdade, mas que será usado predominantemente na cidade, por compradores com expectativas elevadas, no que diz respeito ao acabamento.

Há muito espaço, aproveitando bem os 4,95 m de comprimento e os 2,85 m de entre-eixos. A segunda fileira tem bancos corrediços. O mesmo não pode ser dito da terceira fileira, mais recomendada para crianças por conta do assoalho alto e da falta de espaço para pernas. Com todos os bancos no lugar, o porta-malas leva 88 litros, subindo para 791 l com a última fileira rebatida.
Ter um utilitário desse tipo exige um bom investimento e, neste momento, o Haval H9 não só figura como uma das melhores opções do segmento como ainda eleva o patamar com tudo o que oferece por um preço mais baixo que o dos rivais.
Veredicto Quatro Rodas – Pode ser mais lento que os rivais, mas o Haval H9 é mais equipado e bem mais barato do que a concorrência.

Ficha Técnica – GWM Haval H9
Teste de Desempenho – GWM Haval H9
Aceleração
- 0 a 100 km/h: 13,4 s
- 0 a 1.000 m: 34,78 s / 151,11 km/h
- Velocidade máxima: 170 km/h
Retomadas
- 40 a 80 km/h: 5,8 s
- 60 a 100 km/h: 7,7 s
- 80 a 120 km/h: 9,9 s
Frenagens
- 60 km/h a 0: 15,3 m
- 80 km/h a 0: 27,7 m
- 120 km/h a 0: 62,6 m
Consumo
- Urbano: 9,3 km/l
- Rodoviário: 11,2 km/l
Ruído interno
- Neutro / RPM máx.: 42,2 / 71,7 dBA
- 80 km/h: 58,4 dBA
- 120 km/h: 63,8 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: 1.600 rpm
Volante: 3,5 voltas
Seu bolso
- Preço básico: R$ 329.000
- Garantia: 10 anos
