Híbridos flex: por que a tecnologia domina os planos de VW, GM e Stellantis para o Brasil

Os carros híbridos flex são a bola da vez para a indústria brasileira e continuarão a ser por uns bons anos, por uma série de fatores. O mercado não comporta os elétricos puros, por falta de infraestrutura, de poder aquisitivo da população, desconfiança do consumidor e a oferta do etanol, que é combustível limpo, em se tratando de CO2. E também pelo fato de que o híbrido flex permite diferentes graus de eletrificação, o que oferece a possibilidade de uma transição gradual rumo aos elétricos puros, enquanto essa tecnologia é aprimorada e se torna mais acessível. Híbridos podem ser leves (MHEV); plenos (HEV); e plug-in (PHEV).

Apesar desse consenso na indústria, existem diferentes posicionamentos entre as fabricantes em relação à adoção dessas tecnologias tanto no que diz respeito a elas como em relação ao ritmo em que vão imprimir as mudanças.

VW T-Roc é testado no Brasil e adianta novo T-Cross híbrido
VW T-Roc é testado no Brasil e adianta novo T-Cross híbridoFalando de Carro/Reprodução

A VW anunciou que a partir deste ano todo veículo desenvolvido por ela na América do Sul terá versões eletrificadas. A empresa fala em “todas as modalidades de híbridos possíveis: híbridos leves, híbridos e híbridos plug-in”. Mas não diz de que forma esses híbridos serão introduzidos na linha.

A única pista que a VW dá, em relação aos lançamentos, é que o seu primeiro veículo produzido a partir da nova plataforma MQB37 será feito na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), e com sistema de propulsão HEV flex. Mas não fala quando. O mais provável é que os primeiros híbridos flex da VW sejam híbridos leves desenvolvidos sobre a plataforma atual, MQB27, que permite a fabricação desse tipo de  híbrido, que usa baterias menores. E a estreia deve ser com o Nivus, que será reestilizado, em breve.

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A plataforma híbrida da VolkswagenDivulgação/Quatro Rodas

A GM, que sempre defendeu a transição dos motores a combustão para os elétricos, sem escalas, por orientação de sua matriz, voltou atrás e também anunciou veículos híbridos de diferentes tipos, mas sem abandonar a ideia da eletrificação pura. Tanto que seu lançamento mais recente, o Spark, é 100% elétrico e chega sem que exista um híbrido na linha nacional da marca.

Chevrolet Captiva PHEV
Chevrolet Captiva PHEVRodolfo Peres Luiz/Quatro Rodas
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A estreia a Chevrolet entre os híbridos flex deve acontecer em versões híbridas das atuais gerações da picape Montana e do SUV Tracker. Antes deles, porém, o Captiva PHEV, importado da China, fará sua estreia nas lojas.

A estratégia da GM, nesse sentigo, vai depender em grande parte da parceria que firmou com a Hyundai para o desenvolvimento de novos modelos para as américas do Norte e Central, mas principalmente do Sul. A meta da GM é ter sua oferta completamente eletrificada até 2030.

PULSE HIBRIDO dsfds
A Fiat foi a primeira generalista a fazer híbridos no BrasilFernando Pires/Quatro Rodas
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Outra estratégia diferente é a da Stellantis, que abrange seis marcas (Citroën, Fiat, Leapmotor, Jeep, Peugeot e Ram). A Fiat foi a primeira a lançar híbridos, versões dos SUVs Pulse e Fastback, em novembro de 2024. Na época os híbridos leves (de 12 V) eram a estreia da plataforma BioHybrid, que prevê outras modalidades de híbridos HEV e PHEV, mas que agora ganhou a companhia das tecnologias da chinesa Leapmotor, marca que se juntou à Stellantis este ano e deve ter participação importante na estratégia do grupo.

LEAPMOTOR C10
Leapmotor vai produzir em PernambucoDivulgação/Quatro Rodas

A Leapmotor estreou em 2025 com modelos híbridos e elétricos e informou, no Salão do Automóvel de São Paulo, que produzirá na fábrica do Grupo em Goiana (PE), deixando para anunciar os modelos e versões que serão nacionalizados no ano que vem.

De acordo com o presidente da Stellantis, Herlander Zola, a eletrificação da oferta de todas as marcas do grupo será intensificada a partir deste ano, porque, segundo ele, a velocidade de aceitação dessas tecnologias se revelou maior do que o esperado. O reinado dos híbridos promete ser longo, no Brasil.

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