Hillary Clinton depõe no Congresso sobre caso Epstein e desafia Trump

No depoimento, Hillary também defendeu que, caso o comitê esteja realmente empenhado em esclarecer os fatos, deveria ouvir diretamente o ex-presidente Donald Trump sob juramento

A ex-secretária de Estado e ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, presta depoimento nesta quinta-feira à Câmara dos Representantes no âmbito da investigação parlamentar sobre Jeffrey Epstein.

Em declaração inicial divulgada por ela nas redes sociais, Hillary afirmou que não tinha conhecimento das atividades criminosas atribuídas a Epstein e reiterou que não manteve relação com o empresário. Segundo a ex-senadora, ela jamais viajou em aeronaves dele, não visitou propriedades vinculadas ao financista e não tem informações adicionais a acrescentar ao que já declarou sob juramento anteriormente.

No depoimento, Hillary também defendeu que, caso o comitê esteja realmente empenhado em esclarecer os fatos, deveria ouvir diretamente o ex-presidente Donald Trump sob juramento. Ela mencionou que o nome do atual presidente aparece diversas vezes nos arquivos relacionados ao caso, embora a simples citação não implique envolvimento em crimes.

A ex-secretária destacou ainda que seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, já negou ter conhecimento das ilegalidades cometidas por Epstein. Hillary afirmou que o financista cometeu atos graves, mas sustentou que ele não foi o único responsável dentro de uma rede maior.

Ela também cobrou apuração sobre relatos de que o Departamento de Justiça teria retido informações do FBI envolvendo acusações contra Trump. Além disso, defendeu que promotores da Flórida e de Nova York expliquem decisões que teriam beneficiado Epstein no passado. A ex-secretária criticou ainda o governo Trump por mudanças estruturais no combate ao tráfico humano, alegando redução de equipes e atraso na divulgação de relatórios obrigatórios.

A comissão, liderada pelo republicano James Comer, realizou a oitiva em Chappaqua, onde os Clinton residem. Comer afirmou que há diversas perguntas a serem esclarecidas e ressaltou que, até o momento, não há acusações formais contra o casal. O deputado democrata Robert Garcia também defendeu a divulgação integral de documentos e a convocação de Trump para depor.

O Departamento de Justiça tornou públicos milhões de páginas relacionadas ao caso no fim de janeiro, com trechos sob sigilo. Diversas figuras públicas foram mencionadas nos registros, embora a citação de nomes não represente, por si só, comprovação de irregularidades.

Inicialmente resistentes à convocação, os Clinton concordaram em depor após a possibilidade de medidas por obstrução ao Congresso. Assim como ocorreu no depoimento de Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein condenada a 20 anos de prisão, os testemunhos deverão ser divulgados posteriormente.