A indefinição sobre os palanques presidenciais em Minas Gerais tem impactado diretamente a disputa pelo governo do estado. Os pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas nacionais, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), influenciam agora as movimentações de partidos da base do governador Romeu Zema (Novo), como PL e União Brasil.
O PL condiciona seu apoio no estado ao palanque de Flávio Bolsonaro, o que tensiona o acordo do vice-governador Mateus Simões (PSD), que havia firmado com Zema manter o apoio estadual alinhado ao governador. O deputado Nikolas Ferreira, principal nome do PL em Minas, descartou concorrer ao governo e deve buscar reeleição à Câmara, enquanto o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) surge como alternativa, embora ainda não tenha confirmado candidatura.
A federação União Brasil-PP, antes integrada à chapa de Simões, passou por mudanças internas. A liderança estadual do União Brasil deixou de ser de Marcelo Freitas, aliado de Simões, para Rodrigo de Castro, ligado ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), alimentando especulações sobre uma eventual candidatura de Pacheco ao governo e sobre a construção de um palanque para Lula no estado.
Simões, porém, garante que os acordos nacionais com União Brasil e PP seguem intactos: “Eu estou muito tranquilo porque não fui procurado por nenhum dos dois partidos para dizer que o nosso acordo está de qualquer forma em risco”. A federação controla a maior bancada da Câmara, com 107 deputados, garantindo tempo significativo de propaganda eleitoral.
Enquanto Pacheco mantém sua indefinição, alegando que pretende encerrar sua carreira política, o PT já avalia nomes alternativos para a disputa estadual, como Tadeu Leite (MDB), Alexandre Kalil (PDT), Sandra Goulart (UFMG) e Josué Gomes. A única definição do partido é que Marília Campos, prefeita de Contagem, será candidata ao Senado.
O cenário mostra que a eleição mineira ainda depende de alinhamentos nacionais e movimentações estratégicas entre partidos, com indefinição sobre quem terá força para centralizar o apoio do centro e da esquerda em Minas Gerais.