Ninguém espera que um Fiat Uno ou VW Fusca seja capaz de enfrentar trechos off-road, mas quem faz trilha com carros 4×4 sabe que esses carros fazem parte da paisagem e são capazes de se enveredar pelos mesmos caminhos, mesmo que ninguém espere isso deles. O Jetour T1 sofre de uma expectativa oposta: todo mundo que o vê espera que ele seja muito valente no off-road. Pode até ser em algumas situações, mas nem 4×4 ele é.
Daria para discorrer um monte sobre como o “parecer” vem antes do “ser” na sociedade moderna, mas seria muito chato. O fato é que o jipe híbrido chinês segue tudo aquilo que outros SUVs 4×4 de mesmo porte e estilo fazem, exceto a mecânica. E nem é pelo fato de ser um híbrido plug-in, mas por ter apenas tração nas rodas dianteiras.
O Jetour T1 parte dos R$ 249.900 na versão Advance e chega aos R$ 264.990 na versão Premium, mais completa (veja todos os detalhes de equipamentos aqui). Ele não é pequeno e leve como um Uno ou Fusca, porém. Tem 4,71 m de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. É maior que um BYD Song Plus ou GWM Haval H6 e pesa 2.000 kg.

Por outro lado, o T1 tem 28° de ângulos de ataque e saída: números melhores que os de muito SUV com tração 4×4, o que evitará que raspe nas piores rampas ou valetas. A altura livre do solo é que poderia ser maior que seus 19 cm, ainda mais considerando o longo entre-eixos. É culpa da bateria, de 26,7 kWh, montada no assoalho e que a fabricante diz estar bem protegida de impactos, água e poeira por mais exposta (e visível lateralmente) que esteja.

A força que chega às rodas dianteira sai de um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm e de um elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm que está integrado ao câmbio DHT de uma marcha. A potência combinada é de 315 cv.
O primeiro contato com o Jetour T1 é no circuito do Autódromo Velocitta: asfalto perfeito, curvas longas e fechadas em trachos de subidas e descidas. É uma situação boa para notar que o motor que mais traciona o carro é justamente o elétrico. É notável sua entrega de torque imediata, fazendo o T1 ganhar velocidade como se fosse mais leve.

Até é possível sentir quando o motor a gasolina está funcionando, mas não há como precisar quando ele está apenas gerando energia ou ajudando a tracionar o carro sem olhar para uma tela específica na central multimídia. A única marcha não dá tranco quando acopla. No entanto, em velocidades mais altas e constantes a tendência é que o gerenciamento dos motores dê preferência ao 1.5 turbo, até para poupar a bateria, que permite rodar até 88 km em modo elétrico.
Uma boa característica do Jetour T1 é que ele não limita tanto a aceleração em saídas de curva, permitindo ajudar a apontar melhor o carro. O fato de ser um carro com estrutura monobloco, em vez de usar carroceria sobre chassi, contribui para uma melhor dinâmica. Mesmo assim a carroceria se move bastante: inclina para trás nas acelerações, mergulha nas frenagens e pendula nas curvas, porque a suspensão também tem compromissos a cumprir onde não há asfalto.

E foi na terra onde esse primeiro contato com o SUV híbrido continuou. Nada de terra batida em velocidade, mas uma pista off-road no próprio Velocitta que, em geral, é usada para demonstrações com picapes. Foi bom, principalmente, para mostrar que a suspensão macia realmente é capaz de filtrar obstáculos.

Indo mais além, o T1 enfrentou subidas de pedra, valetas, trechos mais sinuosos sem demandar um modo de condução diferente do “Sport”, mas resolvi usar o modo “Snow” que, apesar do nome inapropriado, é o que define o controle de tração mais adequado para situações de perda de aderência. Essa gestão da tração é importante porque, na terra, a pronta resposta de um motor elétrico pode atrapalhar mais do que ajudar.

O Jetour T1 encara isso mesmo com pneus de asfalto. O que realmente faz diferença nessa situação é o tanto que ele afasta os para-choques e a carroceria do solo, evitando danos. Com características assim, sinceramente, praticamente qualquer carro é capaz de vencer um off-road leve, com terra seca. É com lama que a situação poderia ficar complicada.

O argumento da Jetour é que grande parcela dos compradores de SUVs híbridos 4×4 escolhem seus carros simplesmente por serem os mais completos e não por necessitarem da tração. Só uma pequena parcela, dizem suas pesquisas, realmente utilizam a tração 4×4. Quem não faz uso do sistema, porém, é penalizado pelo maior peso e pela maior complexidade.

O T1 entrega o pacote de equipamentos completo, uma boa autonomia elétrica e o status que um 4×4 teria, mas sem insinuar, à primeira vista, que não é 4×4. Mas o comprador vai saber disso e não vai se enveredar por caminhos onde o seu chinês parrudo poderia passar vergonha.
Outra vantagem do Jetour T1 frente aos seus concorrentes é que a carroceria quadrada, que tanto chama a atenção, também melhora o aproveitamento do espaço interno. É um carro largo, com espaço para cinco pessoas no banco traseiro e com sobra de espaço para as pernas. Para a bagagem, restam ainda bons 574 litros.
Versões, equipamentos e preços do Jetour T1:

Jetour T1 Advance – R$ 249.900
De série, tem rodas de liga leve de 19 polegadas calçadas com pneus 235/60, conjunto óptico é full-led, incluindo faróis de neblina, racks no teto, central multimídia de 15,6″ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, quadro de instrumentos digital de 10,25″, ar-condicionado de duas zonas com saídas traseiras, chave presencial (Keyless) e bancos dianteiros com ajustes elétricos e ventilação. O pacote de segurança ativa (ADAS) é um dos pontos altos desta versão. A lista engloba controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de centralização de faixa (ICA), frenagem autônoma de emergência (AEB) e monitoramento de ponto cego (BSD). Para manobras, além dos sensores dianteiros, o motorista conta com o sistema de câmeras 540°.

Jetour T1 Premium – R$ 264.900
Soma porta-malas com abertura e fechamento elétricos, carregador indutivo de 50 W, luzes ambiente internas configuráveis, teto solar panorâmico, sistema de som Sony com 9 falantes, espelho retrovisor dianteiro com projeção a laser ‘Jetour’, bancos dianteiros com memória, banco do motorista com ajustes elétricos lombares, banco do passageiro dianteiro com apoio de pés ajustável.

Ficha técnica – Jetour T1
Motor: gasolina, 1499 cm³, 135 cv, elétrico de 204 cv, 31,6 kgfm; potência combinada de 315 cv
Bateria: LFP, 26,7 kWh, autonomia de 80 km Inmetro
Recarga: de 30 a 80% em 30 min a até 40 kW DC
Câmbio: automático 1-DHT, 1 marcha, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), Multilink (traseiro)
Freios: disco ventilado (dianteiro), disco sólido (traseiro)
Rodas e pneus: rodas de liga leve 19″, pneus 235/60 R19
Dimensões: comprimento 4,71 m, largura 1,97 m, altura 1,84 m, entre-eixos 2,80 m, peso 2000 kg, vão livre 19,0 cm porta-malas, 574 litros; tanque 70 litros
