A participação histórica do Brasil no esqui alpino masculino dos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, chegou ao fim nesta segunda-feira (16), com as disputas do slalom. Ouro na versão “gigante”, Lucas Pinheiro Braathen se desequilibrou e caiu na primeira das duas descidas que precisava fazer, o que o deixou fora da briga por medalha, assim como Christian Soevik. Único atleta do país a finalizar a prova, Giovanni Ongaro ficou na 27ª colocação, a melhor de um brasileiro nesta disciplina.![]()
![]()
Nesta quarta-feira (18), a partir das 6h (horário de Brasília), será a vez de o Brasil marcar presença no esqui alpino feminino. Mais jovem integrante da delegação verde e amarela em Milão-Cortina, a carioca Alice Padilha, de 18 anos, participa da prova do slalom.
Na disputa, os atletas encararam, duas vezes, um percurso com mastros fincados na neve, chamadas “portas”, pelas quais eles devem passar. As hastes são separadas por 13 metros, quase o dobro dos cerca de 25 metros da disciplina “gigante”. A menor somatória de tempo nas duas descidas define o ganhador.
O ouro foi para o suíço Loic Meillard – que tinha sido o terceiro no slalom gigante. O austríaco Fabio Gstrein levou a prata e o norueguês Henrik Kristoffersen o bronze.
Após a conquista do último sábado (14), Lucas retornou a Bormio, nos Alpes italianos, como favorito a outra medalha olímpica. O esquiador nascido em Oslo, Noruega, mas que desde 2025 representa o Brasil, país de sua mãe, acabou se complicando com a neve intensa e a baixa visibilidade e caiu na metade do percurso.
“Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Vejo que a gente tem vários atletas brasileiros que provavelmente vão crescendo a cada ano, isso é algo muito lindo. E tudo isso representa meu propósito na vida”, disse Lucas, em depoimento ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).
O segundo representante verde e amarelo a competir nesta segunda foi Christian, que também é filho de mãe brasileira e pai norueguês, mas é natural do Rio de Janeiro e foi morar com a família no país nórdico com um ano. A estreia olímpica, porém, não foi como a esperada. O carioca perdeu o equilíbrio na descida e saiu cedo da disputa.
Somente 44 dos 96 atletas concluíram a primeira parte da prova. Um deles foi Giovanni, que cumpriu o percurso em 1min04s66. Na segunda descida, o esquiador de Clusone, na Itália, mas que é filho de mãe brasileira, reduziu em mais de dois segundos a marca inicial (1min02s21), totalizando 2min06s87, na 27ª posição. O resultado supera o 39º lugar da fluminense Maya Harrison, na Olimpíada de Sochi, na Rússia, em 2014.
“Não fiquei tão feliz pela primeira descida, porque não consegui esquiar muito veloz. Mas a segunda descida foi boa e fiquei feliz por ela. Agora vou celebrar com minha família e os fãs brasileiros e italianos”, celebrou Giovanni, também em entrevista à comunicação do COB.
Brasil estreia no bobsled
Também nesta segunda-feira, teve início a participação brasileira no bobsled, modalidade em que os atletas descem uma pista de gelo a bordo de um trenó e que pode ser disputada com dois (2-men) ou quatro (4-men) competidores. A estreia verde e amarela foi no 2-men, com o baiano Edson Bindilatti e o paulista Luís Bacca.
A disputa do bobsled consiste em quatro descidas, sendo duas em um dia e mais duas no outro. Vence quem obtiver a menor somatória de tempos. Edson e Luís aparecem, no momento, na 24ª colocação, totalizando 1min53s76 após duas baterias. A liderança é dos alemães Johannes Lochner e Georg Fleischhauer, com 1min49s90.
A terceira descida será nesta terça-feira (17), às 15h (horário de Brasília). Para poderem disputar a quarta e última bateria, os brasileiros têm de alcançar, ao menos, o 20º lugar.
“O push [largada do bobsled, em que os atletas correm entre 50 e 60 metros junto do trenó e o empurram com toda força para a descida] continua sendo competitivo. Acho que agora é ver os vídeos, entender mais o que fizemos, o que erramos, o que podemos melhorar. É tentar ser melhor ainda amanhã [terça]. Isso aqui é um treino de luxo para o nosso 4-man”, disse Edson, ao COB, fazendo menção à prova que eles terão pela frente nos próximos sábado (21) e domingo (22).
Coube à dupla Edson Bindilatti e Luís Bacca quebrar o gelo e entrar em ação nas primeiras baterias da disputa do 2-man, nesta segunda-feira, 16, em Cortina D’Ampezzo, sede da competição. Os brasileiros terminaram as primeiras parciais na 24ª colocação e agora focam em ajustes para melhorarem posições e se prepararem para a prova do 4-man.