O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, fez duras críticas à postura dos Estados Unidos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, afirmando que o presidente Donald Trump não conseguirá enfraquecer a República Islâmica.
Em encontro realizado nesta segunda-feira (16) com representantes da província do Azerbaijão Oriental, Khamenei acusou Washington de tentar impor um resultado específico nas conversas. “Eles dizem: ‘Vamos negociar sobre a energia nuclear de vocês, mas o resultado precisa ser que vocês não tenham essa energia’”, afirmou. Para o aiatolá, exigir tais condições antes de iniciar o diálogo é “incorreto e estúpido”.
As negociações sobre o programa nuclear seguem em andamento em Genebra, com um clima de tensão crescente. O governo dos EUA intensificou sua presença militar na região, enviando um porta-aviões para o Golfo Pérsico, além de outra embarcação.
Khamenei aproveitou para responder às ameaças militares de Trump, acusando-o de tentar “dominar o povo iraniano”. O líder iraniano comentou sobre a declaração de Trump de que, após 47 anos da Revolução Islâmica de 1979, os EUA ainda não conseguiram derrubar o regime iraniano. Khamenei declarou: “Ele disse que não conseguiram destruir a República Islâmica. Eu digo: você também não conseguirá”.
Em relação ao poderio militar dos EUA, Khamenei desafiou a superioridade americana, dizendo: “Um porta-aviões é certamente uma máquina perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar”, acrescentando que forças militares consideradas poderosas podem sofrer derrotas irreparáveis.
Essas declarações coincidem com a participação do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em conversas indiretas em Genebra com a delegação norte-americana, liderada pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e por Jared Kushner. Este é o segundo encontro entre as partes desde o reinício das negociações em Mascate, Omã, após o conflito de 12 dias ocorrido em junho de 2025.
Ainda há uma grande distância entre as posições. O Irã deixou claro que não aceitará interromper totalmente o enriquecimento de urânio, nem limitará seu programa de mísseis balísticos, enquanto os Estados Unidos exigem restrições mais abrangentes como condição para um possível acordo.