Lisboa, Nova York e Roma lideram lista de viagens oficiais da Câmara em 2025

O presidente Hugo Motta justifica o crescimento das despesas como parte do fortalecimento da diplomacia parlamentar e do maior protagonismo do Congresso

O gasto da Câmara dos Deputados com diárias para alimentação e hospedagem de parlamentares em viagens oficiais cresceu 78% no primeiro ano da presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), passando de R$ 2,1 milhões em 2024 para R$ 3,8 milhões em 2025. O aumento não considera a inflação do período, que foi de cerca de 5%.

Dados obtidos pela Folha mostram que, em 2025, 202 dos 513 deputados federais solicitaram diárias, contra 153 no ano anterior, elevando o número de diárias de 876 para 1.482. Entre os destinos mais visitados estão Lisboa, Londres, Roma, Nova York, Genebra e Buenos Aires, com Lisboa liderando a lista devido ao fórum jurídico conhecido como “Gilmarpalooza”.

O presidente Hugo Motta justifica o crescimento das despesas como parte do fortalecimento da diplomacia parlamentar e do maior protagonismo do Congresso. Ele lembra que o Parlamento brasileiro exerceu a presidência do P20 em 2024 e do Fórum Parlamentar do Brics em 2025, aumentando a demanda por contatos internacionais.

As diárias incluem apenas despesas menores, como transporte local, não cobrindo passagens aéreas ou o uso de aviões da FAB. Por exemplo, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) recebeu R$ 40 mil para passagens até o Uzbequistão e mais R$ 12 mil em diárias para participar da Assembleia da União Interparlamentar (UIP). Cajado ressalta que suas viagens são institucionais, em representação do Brasil e de países da América Latina e Caribe.

Outros parlamentares destacam finalidades técnicas de suas missões. Murilo Galdino (Republicanos-PB) participou de cinco viagens oficiais em 2025 como presidente da Comissão Especial da Nova Lei dos Portos, recebendo R$ 55 mil em diárias. Já Pedro Paulo (PSD-RJ) afirma que sua presença em fóruns internacionais ocorre por ser relator da reforma administrativa.

Mesmo com críticas, parlamentares como Zé Vitor (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF) reforçam que suas agendas têm caráter técnico e institucional, participando de debates sobre produção agrícola, mudanças climáticas e direitos humanos. O levantamento ainda mostra que os gastos com diárias variam de acordo com o cargo, com presidentes e líderes de comissões recebendo valores maiores.

Em resumo, o crescimento dos pagamentos reflete maior participação do Congresso em eventos internacionais, a busca por diplomacia parlamentar e a necessidade de representação técnica em fóruns globais, mesmo em meio a críticas sobre o volume das despesas.