O procedimento de recarga de um carro elétrico pode influenciar não apenas a vida útil da bateria como também, a longo prazo, a autonomia proporcionada pela recarga. Alguns cuidados, no entanto, podem atrapalhar mais do que ajudar o carro.
O relato enviado pelo leitor Carlos Miranda, proprietário de um BYD Dolphin Mini, exemplifica isso. Miranda vinha recarregando a bateria de seu carro até 80%, quando, após quase seis meses, o próprio carro mostrou uma mensagem, no quadro de instrumentos, que dizia que o veículo deveria ser recarregado até 100% para que todas as células da bateria estivessem com a mesma carga.

BYD recomenda carga completa semanal
Primeiro, é importante dizer que o manual do BYD Dolphin não indica a recarga até 80%. A recomendação da fabricante é que haja ciclos de descarga e recarga completa com regularidade. Por exemplo, recomenda uma recarga completa uma vez por semana e, também, que o usuário do carro deixe a bateria chegar abaixo de 10% antes de uma carga completa, a cada três ou seis meses.
Esta última recomendação, na verdade, só aparece na versão mais recente do Manual do Proprietário do Dolphin, que pode ser obtida pelo site da BYD. O manual que acompanhou nosso carro indicava uma descarga e recarga completa da bateria a cada seis meses ou 70.000 km. Até levamos o carro à concessionária após seis meses de uso para realizar o procedimento e indicaram que não era necessário.
Esses procedimentos de recarga e descarga recorrentes são importantes para que a bateria faça sua autocalibragem. É preciso que todas as células da bateria estejam com sua carga completa para que o carro possa atualizar as informações de capacidade da bateria e entender o estado de carga e a saúde de cada célula. Isso também leva ao balanceamento das células, ou seja, garante que cada célula esteja com a mesma quantidade de energia acumulada.
O balanceamento das baterias é um dos maiores desafios para as fabricantes de carros elétricos, pois é o que garante a capacidade plena da bateria ao longo do uso e também sua vida útil, e torna o desgaste das células mais uniforme. Além do mais, células desequilibradas podem estar mais sujeitas a sobrecarga ou uma descarga profunda, que são falhas críticas.

Há fabricantes que já armazenam as informações das baterias em suas bases de dados para acompanhar o desgaste (a degradação do estado de carga das células). Outras já usam IA para processar esses dados. Também há sistemas nos quais o carro é conectado com a fábrica, via internet, para que as informações da bateria sejam processadas nos servidores do fabricante e retornem para o carro, atualizando também sua projeção de autonomia. Mas o mais comum ainda é que os sistemas do próprio carro façam seu próprio gerenciamento.
Cuidados quando o carro fica parado
Outras recomendações da BYD dizem respeito àquilo que deve ser feito quando o carro fica parado por mais de sete dias. O ideal é que o carro seja deixado com a carga entre 40 e 60%. Se for um período superior a três meses, o carro deve receber uma recarga completa e depois ser descarregado para algo entre 40 e 60%, para não perder desempenho. Será que isso é feito quando os carros estão parados nos estoques?
No manual anterior, a BYD ainda recomendava que a descarga fosse feita com a utilização do ar-condicionado, para que fosse uma descarga lenta. Esse trecho específico foi removido do manual e do guia rápido do Dolphin.

Há, porém, uma recomendação nova. Agora a BYD passa a não indicar o uso do ar-condicionado durante a recarga DC (carregadores rápidos) em dias quentes, pois o sistema de controle de temperatura pode ser afetado e, então, diminuir a potência de recarga. Isso acontece porque o sistema de arrefecimento da bateria também utiliza o compressor do sistema de ar-condicionado.
Garantia revisada e outras mudanças
Há outras mudanças no manual do BYD Dolphin que corrigem inconsistências nas recomendações e nos termos de garantia, e que chegamos a questionar quando compramos o nosso carro. A garantia foi ampliada de cinco para seis anos, mas só para os sistemas de alta e baixa tensão, para chassi e corrosão.
Outras partes do carro tiveram cobertura ampliada, mas não passam de três anos. Entre eles, tomada de recarga, amortecedores, suspensão, direção, rolamentos e borrachas (cuja garantia aumentou de 12 para 36 meses). A tela da central multimídia, que é giratória, também passou a ter três anos de garantia.
Para uso comercial, o prazo de garantia desses itens ainda é de um ano e a BYD passou a definir melhor o que é uso comercial – uso em serviços de entrega e transporte, uso profissional e locadoras.
Uma curiosidade é que a BYD continua recomendando o amaciamento de seus carros elétricos novos, que devem rodar os primeiros 2.000 km em modo Eco. Por outro lado, passou a permitir o uso de rack no teto do Dolphin.
BYD Dolphin – 31,781 km
| Versão | GS 180 EV |
| Motor | elétrico, diant., transversal, síncrono, 95 cv, 18,4 kgfm |
| Câmbio | automático, 1 marcha, tração dianteira |
| Revisões | até 100.000 km: grátis |
| Seguro | R$ 1.570 |
| Consumo | No mês: 5,3 km/kW, com 57,6% de rodagem na cidade
Desde jan/24: 6,4 km/kW, com 49,4% de rodagem na cidade |
| Carregamento | 171 kW, 5h30min, R$ 384 |