Luigi Mangione, acusado de homicídio, será julgado por matar CEO da UnitedHealthcare

Ao sair da audiência no tribunal, Mangione declarou, de forma provocativa, que a situação representava uma "dupla punição"

O tribunal estadual de Nova York agendou para o dia 8 de junho de 2026 o julgamento de Luigi Mangione, de 27 anos, acusado de assassinar Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (6), e Mangione enfrentará acusações de homicídio.

Ao sair da audiência no tribunal, Mangione declarou, de forma provocativa, que a situação representava uma “dupla punição”, referindo-se à possibilidade de ser julgado por dois processos distintos, o estadual e o federal. Ele se declarou inocente e enfrenta uma possível pena de prisão perpétua caso seja condenado.

O julgamento de Mangione foi determinado pelo juiz da Suprema Corte de Nova York, Gregory Carro, durante uma audiência onde o acusado foi acompanhado por seus advogados. Embora a defesa tenha solicitado um adiamento para que pudessem se preparar melhor para o processo estadual, uma vez que há um julgamento federal programado para abril de 2026, o juiz decidiu manter a data para junho. A decisão vai contra o pedido dos advogados de defesa, que argumentaram que o réu estava sendo colocado em uma posição difícil, tendo que lidar com dois processos simultâneos.

Mangione está sendo acusado de matar Brian Thompson, de 50 anos, no dia 4 de dezembro de 2024, enquanto o CEO se encontrava em frente ao Hilton Midtown, em Nova York, no momento em que se preparava para uma conferência de investidores. O ataque ocorreu pouco antes das 7h, horário local. Thompson foi socorrido pela polícia e levado a um hospital, onde sua morte foi confirmada. A UnitedHealthcare, empresa da qual Thompson era diretor-executivo, emitiu uma nota lamentando profundamente o falecimento de seu líder.

A investigação da polícia indicou que o assassinato pode ter sido motivado por um descontentamento de Mangione com o setor de planos de saúde dos Estados Unidos. Ele teria deixado um manifesto no qual chamava os responsáveis pelas empresas de planos de saúde de “parasitas”. As balas usadas no crime traziam inscrições, como “negar” e “atrasar”, referências às táticas usadas pelas seguradoras para evitar pagar pelos cuidados necessários aos beneficiários.

Embora detido, Mangione ganhou apoio de diversos seguidores, principalmente mulheres, que o veem como um símbolo de protesto contra o sistema de saúde americano. Alguns desses apoiadores comparecem às sessões judiciais usando camisetas com as palavras “Libertem Luigi” ou carregando cartazes em defesa do acusado.

A UnitedHealth Group, empresa à qual a UnitedHealthcare pertence, reportou lucros de 100 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2024. A unidade de Thompson, a UnitedHealthcare, administra planos de saúde públicos como o Medicare e o Medicaid, voltados para idosos e pessoas de baixa renda.