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Macron alerta: Trump adota postura antieuropeia e mira desmembramento da UE

Por Brasil Direto

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Trump diz que não viu parte racista do vídeo e não se desculpará

O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta terça-feira (10) que a administração de Donald Trump adota uma postura contrária aos interesses europeus e estaria buscando o enfraquecimento da União Europeia. Segundo o líder francês, os países do continente precisam se preparar para novas tensões com Washington, e a crise envolvendo a Groenlândia ainda não foi resolvida.

As afirmações foram feitas durante uma extensa entrevista a veículos europeus, como o Financial Times e o Le Monde, poucos dias antes da cúpula de líderes da União Europeia marcada para quinta-feira (12).

Macron ressaltou a necessidade de que os 27 países do bloco atuem de forma coordenada para aumentar sua competitividade no cenário global, não apenas diante da China, mas também em relação a antigos aliados do pós-guerra. O presidente francês citou o episódio envolvendo a Groenlândia como um alerta, destacando que as investidas de Trump sobre a ilha autônoma ligada à Dinamarca representam um momento crítico para a Europa.

Ele afirmou que tentar ceder frente a atos de agressão não tem se mostrado eficaz, referindo-se às tentativas de acordo com os Estados Unidos nos últimos meses. Macron destacou ainda que o foco recente de Trump no Irã não significa o fim das tensões com os países europeus.

O presidente francês tem sido alvo frequente de críticas de Trump, que o incluiu entre os líderes considerados “fracos” em documentos estratégicos americanos. Internamente, Macron enfrenta desafios em seu segundo e último mandato, o que tem levado a um discurso mais firme na política internacional.

O líder francês também antecipou um possível novo conflito com Washington envolvendo a regulação das grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, a Europa corre risco de sofrer retaliações dos Estados Unidos por meio de tarifas, caso imponha regras sobre dados e concorrência.

No plano econômico, Macron enfatizou a pressão sofrida pela Europa entre a política americana e o crescimento da China, criticando a dependência excessiva do dólar. Ele defendeu a emissão de mais títulos em euro para fortalecer a indústria do bloco, mesmo reconhecendo a resistência de países mais austeros. O presidente francês reiterou ainda sua oposição ao acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, alegando prejuízos ao agronegócio francês.

No campo da defesa, o discurso por maior autonomia europeia vinha se concentrando em resposta ao distanciamento de Trump em relação à Otan, o que impulsionou programas de rearmamento, especialmente na Alemanha, mas também gerou atritos internos. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, chegou a afirmar que a Europa precisa deixar de depender exclusivamente dos EUA para sua defesa.

Nesse contexto, a França suspendeu temporariamente o avanço do projeto de um caça de sexta geração em parceria com Alemanha e Espanha devido a divergências industriais, mas Macron garantiu que o programa “não está morto”.

Em relação à Guerra da Ucrânia, Macron busca estabelecer canais diplomáticos próprios. Recentemente, defendeu a reabertura de contatos diretos com a Rússia e enviou seu principal diplomata a Moscou. O Kremlin confirmou a iniciativa, afirmando que os contatos poderiam ajudar a restabelecer rapidamente o diálogo em alto nível. Macron foi um dos líderes europeus que tentou evitar a invasão russa de 2022, mas interrompeu posteriormente o diálogo com Vladimir Putin.

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