Pedágio free flow é alvo de golpes com mais de 50 sites falsos

A implementação do pedágio free flow, que permite a cobrança automática sem cancela, trouxe à tona mais um golpe contra os motoristas. Segundo a empresa de cibersegurança Kaspersky, mais de 50 sites falsos foram criados desde dezembro de 2025 para aplicar golpes em motoristas.

Os criminosos se aproveitam da necessidade dos motoristas sem tag de cobrança automática procurarem os meios de pagamento para divulgar sites falsos. Dessa forma, quando o motorista procura em sites de buscas como pagar o pedágio, links patrocinados são oferecidos.

Free flow - Rio-Santos
Pedágio free flow na rodovia Rio-SantosCCR/Divulgação

Estes links direcionam para sites que simulam as plataformas de pagamentos. O site fraudulento é similar ao oficial e exige a inserção da placa, em seguida apresentam um suposto débito em aberto. A fraude ainda exibe dados corretos dos veículos e preços baixos a pagar, como costuma ser com um pedágio do tipo free flow.

Após essa etapa, o site gera um pagamento via PIX, mas o valor geralmente é destinado para contas de laranjas que usam fintechs, quase nunca bancos tradicionais. Além disso, o pagamento é direcionado para uma pessoa física, o que já é uma dica para o consumidor se atentar na hora de pagar o pedágio.

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O padrão de usar contas de laranjas mostra um nível de organização voltado para dificultar a ação da polícia”, diz Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa.

No free flow, os veículos passam pelo pedágio sem a necessidade de reduzir a velocidade
No free flow, os veículos passam pelo pedágio sem a necessidade de reduzir a velocidadeGoverno do Estado de São Paulo/Divulgação

Além dos sites falsos, há modalidades desse golpe com envios para endereços físicos ou e-mails. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforça que não há envio automático de boletos por correio ou um site único para consulta de débitos.

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O Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, reforça que a consulta e o pagamento das tarifas do free flow devem ser feitos exclusivamente nos sites de cada concessionária. “Cada rodovia possui sua própria plataforma de atendimento, com orientações claras sobre formas de pagamento e eventuais penalidades em caso de inadimplência”, alerta.

Como funcionam os pedágios free flow

Pedágio Free Flow
Agência São Paulo/Divulgação

Os pórticos do free flow funciona com um sistema de câmeras e sensores de rádio para identificar o carro, substituindo as tradicionais cabines. Sendo assim, o sistema identifica as placas e o tipo de veículo, calculando e enviando o valor certo para o sistema.

A cobrança pode ser feita de duas formas: valor fixo, como nas cabines tradicionais, ou por quilômetro rodado. Em São Paulo, a segunda modalidade já é utilizada na pista expressa da rodovia Presidente Dutra. Neste caso, os motoristas que usam a pista expressa para ir ao aeroporto de Guarulhos pagam menos do quem usa a pista para ir até Arujá, por exemplo.

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