Pesquisa revela os defeitos mais comuns em carros chineses; veja as melhores marcas

A confiabilidade dos carros chineses ainda é questionada por muitos consumidores ocidentais. Mas como é a reputação deles dentro da própria China? A consultoria LandRoads elaborou um ranking de qualidade com base em reclamações apuradas ao longo de 2025 e mostra que pelo menos as marcas de luxo chinesas estão muito próximas das alemãs.

O estudo revela uma divisão: marcas premium que estão chegando ao Brasil, como Zeekr, Denza e Avatr, superam a média da indústria na China, enquanto gigantes de volume como BYD, GWM e GAC ainda enfrentam desafios com o acabamento e a eletrônica dos seus carros.

O relatório baseia-se no “Índice de Risco de Qualidade”, onde uma pontuação menor indica menos problemas relatados pelos proprietários. A média da indústria foi estabelecida em 215 pontos. Nesse cenário, Avatr, que opera com tecnologia Huawei, cravou 180 pontos, e a Zeekr, marca de luxo do grupo Geely, marcou 181 pontos. Esses números colocam as estreantes em um patamar de confiabilidade muito próximo ao de fabricantes tradicionais alemãs, como a Audi (172) e BMW (163), e à frente da média geral.

Pesquisa LandRoads 2025
Pesquisa LandRoads 2025LandRoads/Quatro Rodas

Outras presentes no Brasil também ficaram no “lado bom” da tabela. A Geely Galaxy vende os Geely EX2 e EX5 vendidos no Brasil e está imediatamente atrás da Zeekr, com 183 pontos. A Wey, divisão de luxo da GWM, registrou 202 pontos, seguida pela Denza, que acaba de fechar seu primeiro mês de vendas no Brasil, e obteve 210 pontos.

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O estudo analisou 6.950 incidências, divididas entre falhas de qualidade e problemas de design. O ponto de atenção para o consumidor brasileiro fica na parte inferior da tabela, onde aparecem marcas de grande volume de vendas.

A BYD, líder absoluta entre os elétricos no Brasil, ficou abaixo da média da indústria, com 224 pontos, indicando uma incidência maior de reclamações iniciais do que suas rivais premium. Ela está imediatamente acima da Toyota, que teve 227 pontos.

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A situação é mais delicada para outras marcas ou linhas que atuam no Brasil. A Tank, linha off-road da GWM, teve 233 pontos, enquanto a GAC Aion e a Leapmotor (esta última agora com suporte da Stellantis) amargaram 298 e 304 pontos, respectivamente. A Chery, velha conhecida dos brasileiros, ficou ainda mais distante, com 346 pontos, empatada tecnicamente com a linha Hyper/Hyptec da GAC.

Gráfico só com as marcas chinesas que atuam no Brasil e foram contempladas na pesquisa
Gráfico só com as marcas chinesas que atuam no Brasil e foram contempladas na pesquisaLandRoads/Quatro Rodas

Os dados da LandRoads apontam que o uso de telas e sistemas autônomos cobra seu preço. Os três principais problemas relatados foram ruídos internos (24,6%), falhas em componentes da carroceria (18%) e erros em sistemas inteligentes (17,3%). Juntos, eles representam mais de 60% das dores de cabeça dos proprietários, evidenciando que a montagem e a integração de software são um assunto delicado..

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O relatório identifica um fenômeno chamado de “zona de risco de alto equipamento”. Fabricantes que adicionam funções novas muito rapidamente sem a devida maturação da tecnologia tendem a sofrer mais. Marcas como Zeekr e Avatr conseguiram escapar dessa armadilha, apresentando sistemas validados e estáveis, o que justifica seu posicionamento de preço superior e a promessa de brigar com o segmento premium alemão.

Essa análise serve como um termômetro importante para o Brasil. Enquanto a primeira onda de carros chineses focou em preço e pacote de equipamentos, a nova leva, liderada por GWM e BYD, precisa entregar solidez construtiva para que conquistem seu espaço. O mercado chinês já sinaliza quem está conseguindo fazer essa transição com competência e quem ainda precisa ajustar a linha de produção.

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