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PF investiga aporte de R$ 400 milhões da Amprev no banco Master

Por Brasil Direto

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FGC alerta para golpes ligados a indenizações do Banco Master

A Polícia Federal apurou que recursos da Amprev, previdência dos servidores do Amapá, foram aplicados no banco Master de forma rápida e sem análises técnicas adequadas, ignorando alertas internos sobre riscos. O investimento, decidido em menos de 20 dias, totalizou R$ 400 milhões.

O ex-diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, foi apontado como protagonista na condução das reuniões e na execução das decisões tomadas em julho de 2024. A PF ressaltou que ele liderou o processo que viabilizou os aportes, incluindo a compra de R$ 100 milhões em letras financeiras do banco, aprovadas pelo comitê de investimentos sem documentação técnica prévia. Jocildo já havia atuado como tesoureiro da campanha do senador Davi Alcolumbre, que o indicou ao cargo na Amprev.

Em 23 de janeiro, a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal mandados de busca e apreensão contra Jocildo e outros dois membros do comitê de investimentos, José Milton Afonso Gonçalves e Jackson Rubens de Oliveira, como parte da operação denominada Zona Cinzenta.

A Amprev, por sua vez, informou que busca ressarcimento integral dos valores investidos e destacou que a Justiça já determinou o bloqueio de pagamentos ao banco Master. O instituto estima que os aportes representariam cerca de 4,7% da carteira da previdência estadual.

O banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro, após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, e enfrentava dificuldades financeiras, com investigações em andamento sobre sua gestão de crédito. A PF indicou que os responsáveis pelos aportes priorizaram apenas a rentabilidade prometida, sem considerar riscos ou reputação da instituição.

Relatórios da investigação apontam que outros conselheiros alertaram para a concentração de recursos da Amprev no banco Master, para recusas de compra de títulos por parte da Caixa Econômica Federal e para investigações de órgãos de controle, mas os avisos foram ignorados. Segundo a PF, José Milton apresentou a proposta inicial defendendo a maior rentabilidade, enquanto Jackson aprovou o aporte sem exigir análises complementares, configurando, na visão da polícia, gestão temerária e arriscada.

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