Polícia Federal afasta Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão por faltas

Em 2 de janeiro, a corporação havia determinado que Eduardo retornasse imediatamente ao cargo de escrivão

A Polícia Federal decidiu afastar preventivamente Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão em razão de faltas não justificadas. Ele terá cinco dias úteis para entregar a arma de fogo e a carteira funcional, conforme despacho do corregedor regional da corporação no Rio de Janeiro, datado de 10 de fevereiro e publicado apenas hoje.

Em 2 de janeiro, a corporação havia determinado que Eduardo retornasse imediatamente ao cargo de escrivão, função que exerceu entre 2010 e 2014 nos departamentos de Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo e Angra dos Reis (RJ), antes de assumir o mandato de deputado federal. O documento previa que a ausência injustificada poderia levar à aplicação de medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

O afastamento ocorre após Eduardo ter perdido o mandato de deputado federal em 2025 por não comparecer às sessões deliberativas da Câmara. Ele acumulou 59 faltas até 18 de dezembro, ultrapassando o limite permitido pela Constituição.

Eduardo reside nos Estados Unidos desde março de 2025. Em fevereiro, viajou para o país e, no mês seguinte, solicitou licença do mandato por 122 dias para tratar de questões de saúde e interesses particulares. Segundo informações divulgadas, ele também buscava ações contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em função do processo contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O ex-deputado permanece sem salário desde julho, após determinação de Moraes para bloqueio de suas contas e bens, a fim de dificultar suas ações nos Estados Unidos. De acordo com a Câmara, Eduardo deve R$ 13.941,40 referentes a quatro dias de trabalho não cumpridos. As ausências ocorreram em março, antes do início oficial da licença em 18 de março.

Além disso, Eduardo Bolsonaro tornou-se réu por crime de coação, acusado de articular sanções contra autoridades brasileiras. A Primeira Turma do STF aceitou, por unanimidade, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.