Pré-candidatos do PL discutem estratégias eleitorais com Bolsonaro na prisão

Entre os visitantes recentes, destaca-se o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que busca reeleição, e o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ)

Desde a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Penitenciária Federal de Papudinha, pré-candidatos de diferentes estados têm buscado seu aval para disputar eleições em 2026, visando destravar acordos regionais e fortalecer candidaturas alinhadas ao bolsonarismo. Um levantamento da Folha de S.Paulo revelou que, desde 15 de janeiro, Bolsonaro recebeu 27 solicitações de visita além das de advogados e familiares, sendo 17 de políticos que disputarão cargos estaduais ou federais, incluindo governos e Senado, prioridades do movimento político do ex-presidente.

Entre os visitantes recentes, destaca-se o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que busca reeleição, e o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), ambos próximos ao clã Bolsonaro. No Rio de Janeiro, também estão na lista de pretensos candidatos o governador Cláudio Castro, impedido de disputar novo mandato, e o deputado estadual licenciado Anderson Moraes, que pretende concorrer a deputado federal.

Outros estados, como Paraíba, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, tiveram seus cenários eleitorais discutidos com o ex-presidente. No Rio Grande do Sul, o deputado federal Ubiratan Sanderson pretende confirmar com Bolsonaro sua candidatura ao Senado, enquanto nomes como Marcel Van Hatten (Novo) e Luis Carlos Heinze (PP) também são cogitados.

No governo de Goiás, o senador Wilder Morais (PL) buscou respaldo nominal de Bolsonaro, apesar de já contar com apoio da cúpula do partido. Em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) deve discutir sua candidatura ao governo com o ex-presidente em março, em um contexto em que Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, consideram apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu ao ex-presidente a apresentação de um candidato de centro ao Senado, para conciliar o eleitorado bolsonarista e evitar a perda de votos para a esquerda. Um dos nomes indicados é o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que também solicitou audiência com Bolsonaro, marcada para 25 de fevereiro.

No Rio, Bolsonaro discutiu a disputa de Rondônia com o pecuarista Bruno Scheid, pré-candidato ao Senado, enquanto na Paraíba, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL) avaliou com o ex-presidente a possibilidade de concorrer ao Senado.

Alguns pedidos ainda não foram atendidos ou foram negados, incluindo os de Valdemar Costa Neto e do senador Magno Malta (PL-ES), este último avaliado por Flávio Bolsonaro como possível candidato ao governo do Espírito Santo. Já o empreiteiro Renato Araújo e a deputada Julia Zanatta (PL-SC) aguardam resposta sobre visitas institucionais à unidade prisional.

O ex-presidente segue, assim, como referência central do bolsonarismo, influenciando candidaturas estaduais e federais em diversos estados, mesmo durante sua detenção.