É comum que versões topo de linha tenham destaque em estratégias de lançamentos, já que elas mostram tudo o que o novo carro pode oferecer, seja em aparência, acabamento ou tecnologia. Com o Renault Boreal não foi diferente.
Ele já apareceu na QUATRO RODAS em primeiras apresentações, teste e comparativo, porém, em todas, apenas em sua configuração mais cara, a Iconic, que custa R$ 214.990. Mas como é o outro extremo do SUV médio, a versão de entrada Evolution, que custa R$ 179.990?
Testamos o modelo em primeira mão (veja também o vídeo acima) com a ajuda da Localiza, que já o possui em sua gama de modelos para aluguel e nos cedeu uma unidade para a produção deste conteúdo. Fica aqui o nosso agradecimento.

Pelos já citados R$ 179.990, o Boreal Evolution se infiltra entre as versões intermediárias e topo de linha de SUVs compactos, como Honda HR-V, Nissan Kicks, Jeep Renegade, VW T-Cross, entre outros. Mas também tem a companhia de concorrentes diretos básicos, como o Compass Sport (R$ 174.990) e o Corolla Cross XR (R$ 190.490).

Mas, para custar R$ 35.000 a menos do que a versão topo de linha, Iconic, e R$ 20.000 a menos do que a intermediária, Techno, ele faz sacrifícios. A começar pelo visual.
A dianteira mantém os faróis full led com acendimento automático, mas sem a função de facho alto automático. O conjunto de iluminação também perde os blocos de leds decorativos, que ficam logo abaixo dos faróis principais nas demais versões, e os faróis de neblina. O aplique na base do para-choque passa a ser pintado em um tom mais escuro de cinza.

Na traseira, assim como na dianteira, o para-choque troca detalhes prateados por cinza escuro, mas de forma ainda mais discreta. As lanternas full led são as mesmas. De lado, notam-se mais alterações: as rodas de 19″ diamantadas da versão Iconic são trocadas por rodas de 18″, pintadas em cinza. Ele deixa de ter ainda o rack de teto e a antena do tipo “shark”. Permanecem os apliques prateados acima das janelas, mas os alocados na base das portas são mais escuros, como na dianteira e na traseira.
Outro downgrade do Boreal de entrada está na paleta de cores, composta apenas por preto, cinza, prata e branco. Os belos tons de azul e vermelho das demais configurações não estão disponíveis. Por outro lado, com a pintura em branco, prata ou cinza, é possível ter uma composição biton com teto preto por mais R$ 2.300.

Interior mantém capricho, mas perde itens
O Boreal Evolution quase não nos deixa lembrar que trata-se de uma versão “básica”, já que mantém o nível de acabamento das demais versões. Há material emborrachado no topo do painel e das portas dianteiras, apliques com revestimento sintético (também no painel e nas portas), mistura de brilhos, texturas e bons encaixes. Mesmo os bancos mantém o revestimento sintético.

A maior diferença fica para a cor dos revestimentos, que passam a ser pretos, ao contrário do azul do Boreal Iconic. Ele também perde a iluminação ambiente e o teto solar.
O quadro de instrumentos é inferior: trata-se do mesmo aplicado às versões mais baratas do Kardian, com layout mais simples e 7 polegadas, contra 10 polegadas da tela presente nas outras versões. A multimídia mantém as 10 polegadas, mas tem sistema simplificado em funcionalidades e layout. Por fim, o sistema de som da Karman Kardon de 10 alto-falantes dá lugar a um Arkamys, de 6 alto-falantes, mas ainda há boa qualidade.

Ainda entre os itens de série, ele mantém ar-condicionado de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico, carregador de celulares por indução, sensor de chuva, seis airbags e sistemas ADAS, como ACC, frenagem automática de emergência, leitura de placas de velocidade, sensor de fadiga e assistente de permanência em faixa.
Mas abre mão de teto solar, farol alto automático, bancos elétricos, banco com massagem, monitoramento de pontos cegos, alerta de tráfego cruzado traseiro, câmera 360° (passa a ter apenas traseira, de baixa qualidade), faróis de neblina, sensores de estacionamento dianteiros, tampa do porta-malas com abertura elétrica, além de outros itens já citados.

Em espaço, claro, nada muda. Ele leva bem dois adultos de estatura média, já que o túnel central alto e o console (que mantém as saídas de ar) prejudicam a acomodação de um terceiro ocupante ao centro. O porta-malas tem ótimos 522 litros, contra os 410 litros do Compass.

Direção segue como ponto alto
O Renault Boreal tem o mesmo conjunto mecânico em todas as suas configurações. Ou seja, combina o motor 1.3 turbo flex de 156/163 cv (gasolina/etanol) e 27,5 kgfm, a um câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas (de caixa úmida).

Se os números de potência, abaixo dos 176 cv do 1.3 turbo que equipa o Compass, e dos 175 cv do Corolla Cross, parecem insuficientes, o Boreal prova que não se pode ser tão literal assim. Nos nossos testes, com gasolina (ou seja, 156 cv), ele foi de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. Apenas 0,3 segundo mais lento do que o Compass, e 0,6 segundo mais rápido que um Corolla Cross.

A explicação é simples: o câmbio de dupla embreagem, de trocas rápidas e certeiras, deixa o SUV da Renault com boa agilidade e eficiência. As acelerações são rápidas e dão a sensação de que o modelo é menor do que realmente é. Há, por fim, diferentes modos de condução que modulam parâmetros, como direção, câmbio e aceleração. São eles: Eco, Sport, Comfort, Perso e Smart. No modo Eco, as médias de consumo ficaram em 10,5 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada.
A condução do Boreal também agrada por ser mais direta e firme, com suspensão de ajuste mais rígido do que nos rivais. Isso ajuda na estabilidade e até exclui balanços e rolagens exagerados da carroceria. Por outro lado, passar por ruas esburacadas é um problema, já que os ocupantes sentirão os impactos sem tanta cerimônia.

Veredicto
O Boreal Evolution não é uma versão tão básica assim, mantendo seus principais bons atributos, como acabamento e espaço, e uma competente lista de itens de série. Porém, abre mão de itens de comodidade, aparência e segurança para custar R$ 35.000 a menos. Vale a pena, mas a versão imediatamente acima, a Techno, faz mais sentido.
Teste de Desempenho – Renault Boreal
Aceleração
0 a 100 km/h: 9,7 s
0 a 1.000 m: 30,8 s / 173,8 km/h
Velocidade máxima: 180 km/h*
Retomadas
40 a 80 km/h: 4,9 s
60 a 100 km/h: 4,9 s
80 a 120 km/h: 6,3 s
Frenagens
60 km/h a 0: 14,2 m
80 km/h a 0: 26,6 m
120 km/h a 0: 60,9 m
Consumo
Urbano: 10,5 km/l
Rodoviário: 12,9 km/l
Ruído interno
Neutro / RPM máx.: 44,1 / 55,8 dBA
80 / 120 km/h: 65,7 / 70,6 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: 2.500 rpm
Volante: 2,5 voltas

Ficha Técnica – Renault Boreal Evolution
- Motor: flex, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1.333 cm³, 156/163 cv (gasolina/etanol) a 5.250 rpm, 27,5 kgfm (etanol/gasolina) a 2.000 rpm
- Câmbio: automatizado, dupla embreagem, 6 marchas, tração dianteira
- Suspensão: duplo A (dianteira), eixo de torção (traseira)
- Freios: disco (dianteira), disco (traseira)
- Direção: elétrica,
- Rodas e pneus: liga leve, 225/55 R18
- Dimensões: comprimento 4,55 m, largura 2,08 m, altura 1,64 m, entre-eixos 2,70 m, peso 1.388 kg, porta-malas 522 litros, tanque 50 litros
