As negociações entre Estados Unidos e Irã, realizadas nesta quinta-feira (26) em Genebra sob mediação de Omã, foram interrompidas após quatro horas de reuniões e devem ser retomadas ainda no período da tarde. Segundo informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, o presidente Donald Trump deve avaliar o resultado do encontro antes de decidir sobre um possível ataque ao país persa.
A pausa ocorreu logo após o início da terceira rodada de conversas. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, afirmou que os dois lados apresentaram ideias consideradas criativas e positivas, e que espera avanços nas próximas negociações, sem, no entanto, fornecer detalhes adicionais sobre os tópicos tratados.
Apesar das divergências, o mediador demonstrou otimismo de que os Estados Unidos e o Irã possam avançar no diálogo sobre a disputa nuclear, mesmo com as preocupações de Washington em relação ao programa de mísseis balísticos iraniano. O Irã, por sua vez, havia anunciado anteriormente que adotaria uma postura flexível durante as negociações indiretas, que acontecem em meio a um aumento significativo da presença militar norte-americana no Oriente Médio.
Os dois países retomaram as conversas este mês para tentar superar um impasse histórico sobre o programa nuclear de Teerã. Autoridades americanas e europeias afirmam que o objetivo iraniano seria a construção de armas nucleares, enquanto o governo de Teerã nega qualquer intenção bélica. A delegação dos EUA é chefiada pelo enviado especial Steve Witkoff, com a participação do genro do presidente Jared Kushner, enquanto o Irã é representado pelo chanceler Abbas Araghchi.
Desde janeiro, ambos os lados reiteraram estar abertos ao diálogo, mas também não descartaram a possibilidade de ação militar. As delegações chegaram antes das 10h locais à residência do embaixador de Omã, que serve de base para a mediação em Genebra. O governo americano busca garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares, enquanto a agenda iraniana prioriza a suspensão de sanções econômicas e a preservação do direito ao uso pacífico da energia nuclear.
O programa de mísseis balísticos iraniano permanece como ponto de tensão. Washington exige que ele seja discutido, assim como o apoio do Irã a grupos armados hostis a Israel, mas Teerã se mostra resistente, o que dificulta a perspectiva de acordo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, reforçou que a principal pauta das negociações continua sendo a questão nuclear.
Do lado americano, o chefe da diplomacia Marco Rubio ressaltou que outros temas, além do programa nuclear, também precisam ser abordados. Os EUA acusam o Irã de desenvolver mísseis com capacidade para atingir bases e aliados americanos na Europa, enquanto Teerã afirma ter limitado o alcance dos projéteis a 2.000 km e classificou as alegações de Trump como falsas.
O arsenal iraniano inclui mísseis como o Shahab-3, capazes de alcançar Israel e países do leste europeu. Mesmo diante das divergências, Araghchi destacou que considera a negociação como uma oportunidade histórica e acredita que um acordo está próximo.
As tentativas de diálogo entre os dois países não são recentes. Conversas anteriores, realizadas em Omã e em Genebra, foram interrompidas após ataques israelenses em junho, que desencadearam uma guerra de 12 dias e o bombardeio americano a instalações nucleares iranianas. Novas tensões surgiram em janeiro deste ano, quando o governo do Irã reprimiu violentamente manifestações contra o regime dos aiatolás.