A Shineray virou alvo de investigação preliminar no Ministério da Justiça e Segurança Pública após denúncia apresentada pela Abraciclo. A associação, que reúne fabricantes como Honda e Yamaha, acusa a montadora chinesa de comercializar motocicletas sem componentes obrigatórios de controle de emissões e segurança, em desacordo com as normas de homologação vigentes no Brasil.
O processo é conduzido pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que apura se a marca estaria praticando concorrência desleal ao supostamente reduzir custos industriais por meios irregulares. A denúncia cita a ausência de itens como o catalisador, responsável por reduzir gases tóxicos do escapamento, e o cânister, sistema que evita a evaporação de vapores de combustível para a atmosfera.

Outro ponto levantado é a suposta falta do sistema de ventilação do cárter. O dispositivo recircula os gases internos do motor e impede que vapores de óleo sejam liberados diretamente no ambiente. Caso a remoção desses sistemas seja confirmada, a conformidade da Shineray 2026 com o Promot (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares) ficará comprometida.
O episódio ocorre em meio a uma disputa acirrada no setor. A Shineray consolidou-se como a terceira maior força do mercado, com 7,24% de participação em janeiro de 2026. Foram mais de 130 mil motos emplacadas no ano anterior e uma rede formada por 438 concessionárias. O avanço da marca pressiona concorrentes, que argumentam enfrentar estruturas de custo mais elevadas devido ao cumprimento integral das exigências ambientais.

A Senacon estabeleceu prazo de 20 dias para que a montadora apresente defesa. O órgão solicita esclarecimentos sobre eventuais riscos à saúde do consumidor, níveis de emissões e ruído, além da veracidade das informações prestadas aos compradores. Se as irregularidades forem comprovadas, a empresa poderá sofrer sanções que incluem multas e até o recolhimento dos produtos.
Em nota enviada ao site Motoo, a empresa enviou posicionamento oficial. Diferentemente de manifestações anteriores, nas quais negava irregularidades de forma mais ampla, desta vez optou por uma nota sucinta. Confira a íntegra:
“Informamos que a Shineray opta por não se manifestar sobre os questionamentos. Reforçamos que os produtos da Shineray do Brasil seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares. Esclarecemos que todas as informações oficiais relativas ao portfólio da marca, incluindo modelos comercializados e respectivas especificações técnicas, encontram-se publicamente disponíveis e atualizadas no site oficial da montadora.”