O Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto, com implementação entre fevereiro e março de 2026, em quatro estados e no Distrito Federal, para substituir a insulina NPH pela insulina glargina. Essa mudança será aplicada a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, até 17 anos, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é beneficiar cerca de 50 mil pessoas nesta primeira fase.
A principal diferença entre as duas insulinas é o tempo de ação. A NPH exige múltiplas aplicações diárias e pode gerar picos de ação, aumentando o risco de hipoglicemia. Já a glargina tem ação prolongada de até 24 horas, reduzindo o número de aplicações e o risco de hipoglicemia, o que pode melhorar a adesão ao tratamento.
A substituição também pode resultar em economia para o sistema público, pois a redução nas aplicações diárias diminui o uso de agulhas e o risco de complicações graves que exigem atendimento de urgência.
Apesar das dificuldades para a incorporação da insulina glargina ao SUS, o Brasil começou a produção nacional desse medicamento em parceria com laboratórios internacionais, visando garantir maior autonomia e segurança de abastecimento. O país enfrenta uma crise internacional de insulina, devido à reorientação das fábricas para a produção de medicamentos para emagrecimento, o que afetou a produção global.
A produção nacional, que terá início em 2026 com a meta de 36 milhões de unidades, é uma tentativa de solucionar os problemas de abastecimento que afetaram o mercado, especialmente em 2024, durante uma crise internacional.
No entanto, a transição do SUS da insulina NPH para a glargina ainda enfrenta desafios logísticos, como a disponibilidade de canetas reutilizáveis para o medicamento, que é fundamental para a aplicação de refis. A introdução do projeto-piloto ajudará a avaliar o processo de dispensação e o treinamento de profissionais de saúde.