Negociadores dos Estados Unidos e do Irã retomaram nesta quinta-feira (26), em Genebra, encontros indiretos intermediados por Omã, com o objetivo de avançar em um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Pela delegação americana, participam Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente, enquanto os iranianos são liderados pelo chanceler Abbas Araghchi. A mídia estatal de Teerã chegou a declarar que as perspectivas eram positivas antes do início das conversas.
O cenário é tenso: as negociações surgem como uma das últimas oportunidades de evitar um ataque militar americano, que poderia desencadear consequências graves, desde instabilidade política interna até guerra civil no país persa.
A desconfiança entre EUA e Irã vem de décadas. Em 1953, Washington e Londres derrubaram o governo que havia nacionalizado a indústria petrolífera britânica, colocando o xá Reza Pahlevi no poder. A Revolução Islâmica de 1979, liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, depôs o xá e instaurou a República Islâmica, marcando o rompimento definitivo das relações diplomáticas, aprofundado pela crise dos reféns na embaixada americana.
Conflitos posteriores, incluindo a guerra Irã-Iraque e incidentes como atentados e derrubadas de aviões, moldaram décadas de tensão. O programa nuclear iraniano, iniciado sob supervisão da ONU nos anos 1950, tornou-se foco de suspeita nos anos 1980, sendo interpretado como potencial caminho para a bomba atômica.
Tentativas de aproximação ocorreram sob Bill Clinton e durante a presença de inimigos comuns como o Talibã, mas ganharam força no governo Obama, com o acordo JCPA de 2015. Nele, Teerã aceitou inspeções internacionais e suspendeu esforços armamentistas em troca do fim das sanções e liberação de US$ 100 bilhões.
O governo Trump abandonou o acordo em 2018, apostando na coerção militar e sanções. Assassínios de líderes militares e cientistas iranianos intensificaram a tensão, enquanto o Irã acelerou novamente seu enriquecimento de urânio. Atualmente, a Agência Internacional de Energia Atômica registra 440 kg de urânio a 60%, suficiente para múltiplas armas nucleares de baixa potência.
O país persa também enfrenta enfraquecimento interno: protestos massivos desde 2022, crises econômicas, confrontos com Israel e a morte do presidente Ebrahim Raisi em 2024 abalaram o regime. Ataques israelenses destruíram parte da infraestrutura de defesa do país, e tentativas de retaliar com mísseis foram parcialmente neutralizadas.
Enquanto Trump desloca um grande contingente militar para o Oriente Médio, as negociações em Genebra representam uma tentativa de conciliar posições: os EUA exigem a eliminação completa do programa nuclear e restrições aos mísseis balísticos, enquanto Teerã propõe limitações, sem renunciar totalmente à capacidade armamentista. O impasse mantém a região em alerta máximo.