Apesar do sucesso que as picapes grandes como Chevrolet Silverado, Ford F-150 e Ram 1500 têm feito no Brasil, a Toyota nunca demonstrou interesse de entrar no segmento, embora tenha caminhonetes maiores que a Hilux, como a Tacoma e a Tundra. Isto parece que está perto de mudar. O projeto para produzir uma picape maior que a Hilux na fábrica de Zárate, na Argentina, entrou em uma fase decisiva de cotação de componentes junto a fornecedores locais.
Segundo apuração do jornalista Horacio Alonso, do site A Rodar Post, a montadora japonesa já enviou os chamados RFQ (Request For Quote) para fabricantes de autopeças. Esse movimento oficializa o interesse da marca em viabilizar a linha de montagem e sinaliza que a aprovação final da matriz está próxima.

Fontes ligadas à indústria confirmam que os desenhos técnicos das peças distribuídos para análise são idênticos aos da atual geração da Tacoma vendida nos Estados Unidos. A previsão é que o martelo seja batido pelo Japão ainda no primeiro trimestre deste ano – uma fonte de Alonso diz que fevereiro é o mês chave para o projeto.
O cronograma preliminar aponta o início da produção (SOP) para o primeiro trimestre de 2028. A estratégia industrial prevê o lançamento inicial com motorização a combustão, seguido por variantes eletrificadas para aproveitar incentivos fiscais locais, como o RIGI.
Mecânica e tecnologia globais
A nova picape deve alinhar a produção regional à plataforma global TNGA-F. Nos Estados Unidos, a Tacoma abandonou os antigos motores V6 em favor de um conjunto mais eficiente. O protagonista é o motor 2.4 turbo a gasolina (i-Force), capaz de gerar até 281 cv e 43,8 kgfm de torque.
Para as versões mais caras, a Toyota utiliza o sistema híbrido i-Force Max. Ele combina o motor 2.4 turbo a um motor elétrico integrado ao câmbio automático de oito marchas. O resultado é uma potência combinada de 330 cv e um torque expressivo de 64,3 kgfm, superando com folga os números da atual Hilux turbodiesel.
A eficiência energética é um dos focos desse conjunto. A transmissão automática de oito marchas substitui a caixa de seis posições, garantindo trocas mais rápidas e melhor aproveitamento da força do motor em ultrapassagens e trechos off-road.
Porte superior e dinâmica refinada
O posicionamento da nova picape da Toyota será acima da Hilux. A arquitetura mais moderna utiliza suspensão traseira multilink com molas helicoidais em diversas versões, o que melhora o controle dinâmico em estradas asfaltadas sem sacrificar a capacidade de carga.
Em termos de dimensões, o modelo norte-americano pode servir de referência para o que veremos por aqui. A picape mede aproximadamente 5,41 m de comprimento, cerca de 9 cm a mais que a Hilux atual. A distância entre-eixos também é superior, o que se traduz em maior espaço interno para os ocupantes.
O design segue a identidade robusta da marca, com grade frontal imponente e caixas de roda alargadas. No interior, espera-se um salto em conectividade, com painel digital e central multimídia flutuante de até 14 polegadas, além do pacote completo de segurança Toyota Safety Sense.

Testes e convivência com a Hilux
A Toyota vem se preparando há alguns meses. O site Argentina Autoblog publicou flagras de uma unidade da Tacoma rodando em testes no país vizinho, reforçando a tese de que a engenharia local já havia começado o desenvolvimento inicial e avaliava o comportamento da picape nas condições sul-americanas.
É fundamental entender que a chegada desse novo modelo não decreta o fim da Hilux. A picape média líder de mercado terá uma atualização produzida em Zárate a partir de dezembro de 2026, mantendo o foco no trabalho e no uso misto com motores diesel atualizados. O lançamento comercial está marcado para o primeiro trimestre de 2027
