Após semanas de tensão no Oriente Médio, surge a possibilidade de um primeiro diálogo direto entre Estados Unidos e Irã. O enviado de Donald Trump para conflitos internacionais, Steve Witkoff, deve se reunir na sexta-feira (6), em Istambul, com o chanceler iraniano Abbas Araghchi. “Estamos abertos à negociação, mas não sob pressão”, afirmou Araghchi nesta segunda-feira (2).
O encontro ocorre em meio a rumores de exercícios militares iranianos no estreito de Hormuz, região estratégica responsável por cerca de 20% do petróleo global. Inicialmente anunciados pela Press TV, ligada à Guarda Revolucionária, os exercícios foram depois negados pelo Irã, após alerta dos Estados Unidos sobre riscos à navegação internacional. Recentes explosões no porto de Bandar Abbas, com pelo menos cinco mortos, reforçam o clima de tensão na região.
Donald Trump adotou um tom mais conciliador, afirmando esperar um acordo, mas mantendo a pressão militar com porta-aviões e outros ativos estratégicos. O movimento refletiu-se no mercado: o petróleo Brent caiu quase 5% na abertura nesta segunda-feira.
O histórico da relação entre os países é marcado por conflitos. Desde seu primeiro mandato, Trump busca enfraquecer o regime teocrático iraniano e retirou os EUA do acordo nuclear de 2018, que limitava o programa atômico em troca do fim de sanções econômicas. Hoje, o Irã acumula cerca de 400 kg de urânio enriquecido, potencialmente suficiente para até 15 armas de baixo rendimento.
Internamente, o país enfrenta instabilidade: protestos em 2025 contra a crise econômica levaram a repressão intensa, com estimativa de mais de 5 mil mortes, além de um bloqueio temporário da internet. O foco dos EUA agora se volta ao programa nuclear iraniano, enquanto a diplomacia surge como instrumento para evitar um conflito direto, especialmente após a complexidade crescente das operações militares na região.