Os botões sensíveis ao toque causaram discórdia entre os donos de Volkswagen. Implementados nos elétricos da linha ID. e em outros modelos, como o Golf de oitava geração, eles não agradaram à clientela da marca. As críticas foram tão fortes que mudaram a forma como a empresa pensa o interior de seus veículos.
“Nos ‘velhos’ tempos, fazíamos uma longa lista de requisitos e recursos, mas as pessoas não se sentiam confortáveis usando [o produto final]. Agora pensamos nas pessoas. Para quem é o carro? Quem está dirigindo?”, disse o CEO da Volkswagen, Thomas Schäfer, ao Top Gear, durante um evento da marca em Hamburgo, na Alemanha.

Para Schäfer, a Volkswagen se perdeu e deixou de lado aquilo que tornou seus carros populares ao trocar controles intuitivos por um interior mais minimalista e tecnológico.
O caminho agora é retornar às raízes, fazendo o básico bem feito e da forma que os clientes querem: sem comandos deslizantes para o ar-condicionado ou botões sensíveis ao toque para ajustar o volume.
“Um VW deve ter um rosto amigável. Uma maçaneta de porta deve ser intuitiva — fácil de usar quando você chega ao carro com as mãos cheias de compras. E vamos trazer botões e nomes reais, para carros que você entende imediatamente”, explica Schäfer.
A reformulação na VW já começou, e a equipe de design comandada por Andreas Mindt segue três princípios: estabilidade, simpatia e facilidade de entendimento — o que Schäfer chama de “molho secreto”.

O novo ID. Polo reflete parte dessa filosofia. Telas sensíveis ao toque seguem como padrão, mas o hatch elétrico resgata a fórmula tradicional ao manter comandos físicos para funções como vidros, retrovisores e botões no volante.
“Havia um espírito de design e uso ao estilo iPhone em muitas empresas. Foi difícil tirar os designers dessa ideia”, afirmou o CEO, que assumiu o cargo em 2022.
Segundo Schäfer, a era dos carros que parecem iPhones chegou ao fim. Como aprendizado, ele diz que a Volkswagen agora sabe ouvir melhor o feedback de seus clientes.