A BYD anunciou a instalação de 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até o final de 2027. O novo equipamento, batizado de Flash, tem potência máxima de 1.500 kW (ou 1,5 megawatt) por conector. Com essa capacidade, o sistema permite elevar o nível da bateria dos veículos elétricos de 10% a 70% em apenas cinco minutos, ou atingir 97% em nove minutos.
O primeiro carregador Flash do Brasil entrará em operação ainda no primeiro semestre de 2026, em uma concessionária localizada em Brasília. O local será o primeiro a receber a loja da Denza, submarca premium do grupo chinês que iniciará suas vendas no mercado nacional com modelos compatíveis com as novas velocidades de recarga.

O tempo recorde de recarga depende da compatibilidade do carro com a tecnologia. Por enquanto, nenhum BYD vendido no Brasil é compatível com a tecnologia. O primeiro modelo compatível será o Denza Z9 GT, perua elétrica que estreia até junho por R$ 650.000.
Construído sobre a plataforma e3, desenvolvida especificamente para a Denza, o Z9 GT será equipado com o novo pacote de baterias Blade de 122 kWh. Na configuração de tração traseira, o modelo promete um alcance de até 800 km. Já a versão topo de linha tem três motores elétricos que somam 965 cv e 117,2 kgfm de torque, suficientes para acelerar de 0 a 100 km/h em menos de três segundos.
Carregamento como em postos de combustível

A tecnologia Flash adota uma arquitetura de 1.000 V. Para viabilizar a instalação de carregadores de 1,5 MW em locais onde a rede elétrica brasileira não suportará tamanha demanda simultânea, a BYD desenvolveu um sistema com baterias de armazenamento acopladas. O equipamento acumula energia fora dos horários de pico ou quando não está em uso, entregando a potência máxima ao veículo conectado sem exigir os 1.500 kW diretamente da infraestrutura local.
Para efeito de comparação, os carregadores rápidos públicos mais potentes atualmente em operação no Brasil atingem picos de 350 kW. Ainda assim, os carros compatíveis com essa potência ficam apenas alguns minutos próximos da potência máxima, por causa do aquecimento.

A tecnologia Flash obriga que os BYD tenham uma gestão térmica mais robusta. Os carros mantêm a bateria Blade, com química de fosfato de ferro-lítio (LFP), mas incorpora melhorias no transporte de íons. O resultado é uma bateria com maior densidade energética, menor degradação a longo prazo e capacidade de receber recargas ultrarrápidas em uma faixa muito mais ampla de temperaturas.
O design das novas estações de recarga da BYD simula a experiência de uma bomba de combustível. O carregador possui formato em “T” com polias e tecnologia Zero-Gravity, o que permite movimentar os pesados cabo e o conector com refrigeração a líquido com facilidade para qualquer lado do veículo, mantendo a área livre e afastando os cabos do chão. O carregamento inicia automaticamente em cerca de 10 segundos após a conexão, sem a necessidade de leitura de códigos QR.
Infraestrutura própria da BYD
A promessa da BYD é ter 1.000 destes carregadores ultrarrápidos instalados no Brasil até o final 2027, pavimentando o lançamento de carros com as tecnologias de recarga mais avançados e a segunda geração de baterias Blade, como as futuras versões dos Tan, Song e Seal.

Em 2024, a BYD chegou a anunciar uma parceria com a Raízen (agora em recuperação extrajudicial) para a instalação de 600 pontos de recarga rápida no Brasil também até 2027, utilizando a plataforma Shell Recharge. A parceria não foi para a frente e, hoje, a BYD desenvolve a própria plataforma de carregadores rápidos com 122 equipamentos já instalados nas concessionárias – sendo que nem todos estão disponíveis fora do horário comercial. A meta da fabricante é ter um equipamento em cada uma das suas lojas (hoje, 210).
A BYD já testa a tecnologia Flash Charge na cidade de Shenzhen, onde fica sua sede chinesa, e planeja instalar 20 mil estações de carregamento Flash na China até o final de 2026.