Carros autônomos podem demorar mais de 10 anos para chegar ao Brasil

Carros autônomos são realidade em países como os Estados Unidos, Alemanha e China. Desde 2018, a Waymo, subsidiária da Alphabet, controladora do Google, por exemplo, conta com o serviço de robotáxi no país norte-americano. Atualmente, são cerca de 3 mil automóveis rodando por lá em alguns estados onde as ruas são mapeadas.

Mas, e aqui no Brasil? Segundo Rânik Guidolini, CEO da Lume Robotics, empresa especializada no tema com atuação no Brasil, “pelo menos nos próximos 10 anos não teremos acesso a veículos autônomos pessoais”.

Além do Brasil não ter uma legislação para o tema, há outros problemas na visão de Guidolini. Um deles é o custo para sensores e GPS de maior precisão, que podem encarecer o veículo. Além disso, há o custo prévio de mapeamento de vias. Outro ponto são os motociclistas, na visão do especialista. Eles, muitas vezes, não respeitam as regras e podem ser um fator surpresa para o sistema. Isso sem contar em ruas má sinalizadas e buracos. 

Sistema da Tesla consegue dirigir sozinho na cidade, mas de modo limitado e com supervisão obrigatória do motorista
Sistema da Tesla consegue dirigir sozinho na cidade, mas de modo limitado e com supervisão obrigatória do motoristaKim Paquette/Twitter

Projeto de Lei em andamento

Hoje, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não permite que o motorista tire as mãos do volante, ou seja, que acaba proibindo a utilização de carros que andam sozinhos. Oficialmente, há o Projeto de Lei 1317/2023, do deputado Alberto Fraga (PL-DF), em tramitação. O PL foi aprovado pela Comissão de Viação e Transportes em julho de 2025 e ainda deve passar por aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania do Congresso. 

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O texto do PL mencionado prevê a fabricação e comercialização dos veículos com essa tecnologia, assim como a regulação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a obrigatoriedade do chamado “motorista de segurança”, além de uma autorização na carteira de habilitação para esse condutor.

Estamos preparados para ver carros normais autônomos?
Estamos preparados para ver carros normais autônomos?Fernando Pires e alterada com IA/Quatro Rodas

No caso da responsabilidade em um eventual acidente, o projeto estabelece os seguintes critérios:

  • A responsabilidade em caso de acidentes e de cometimento de infrações de trânsito será solidária ou exclusiva do fabricante, ou seu representante no Brasil, e o proprietário ou condutor, conforme o caso.
  • Se o proprietário do veículo autônomo ou o fabricante agiu com negligência, imprudência ou imperícia na programação ou manutenção do veículo, a responsabilidade será exclusiva dele.
  • Se o acidente ou infração ocorreu por falha na programação ou fabricação do veículo, o proprietário terá direito a receber o dobro do valor eventualmente por ele pago em indenizações ou multas.
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Aplicação da direção autônoma

Hoje, a direção autônoma ocorre no Brasil apenas em locais fechados, principalmente em grandes companhias. O CEO da Lume Robotics citou que a Vale conta com caminhões autônomos. O resultado? Aumentou em 20 km/h a velocidade máxima do veículo, apresentou menos desgaste nos pneus, assim como menos consumo de combustível, além, claro, de mais autonomia para a operação.

Carros autônomos podem melhorar o trânsito?

Leimar Mafort, gerente de engenharia da Bosch, compilou alguns dados de melhoria no trânsito, após a aplicação de veículos autônomos. A apresentação ocorreu durante o AND Tech 2026, evento organizado pela Associação Nacional dos Detrans entre os dias 9 e 11 de março de 2026.

  • Redução de acidentes: 90% são provocados por falha humana;
  • Democratização da mobilidade: permite acesso à mobilidade para todas faixas etárias;
  • Consumo: melhoria de até 39% em combustível;
  • Redução de congestionamento: 80% em melhora no tempo de trânsito;
  • Produtividade: 56 minutos, em média, liberados por dia para os passageiros.
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