As taxas médias de juros cobradas pelos bancos voltaram a subir em fevereiro, principalmente para as famílias, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. O aumento foi puxado pelo crédito livre, que chegou a 62% ao ano, com alta tanto no mês quanto no acumulado de 12 meses.
O principal destaque foi o cartão de crédito rotativo, que registrou forte avanço e alcançou 435,9% ao ano — uma das modalidades mais caras do mercado. Também houve alta no crédito parcelado do cartão, que chegou a 200,2% ao ano.
Embora o rotativo tenha acumulado queda no período de 12 meses, o custo do crédito segue elevado e instável, refletindo o impacto direto no orçamento das famílias que não conseguem pagar a fatura integral do cartão.
No setor empresarial, as taxas tiveram leve recuo no mês, mas ainda apresentam alta no comparativo anual. Já o crédito direcionado, que segue regras governamentais, teve variações mais moderadas, com taxas menores para pessoas físicas e leve aumento para empresas.
Considerando todas as modalidades, a taxa média geral de juros subiu e chegou a 33% ao ano. Esse movimento acompanha o ciclo da taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em patamar elevado e utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação.
O aumento dos juros também elevou o spread bancário, indicador que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado dos clientes.
Apesar disso, o volume total de crédito concedido permaneceu alto, ultrapassando R$ 600 bilhões em fevereiro. O estoque total de empréstimos no sistema financeiro brasileiro chegou a mais de R$ 7 trilhões.
A inadimplência também apresentou leve alta, assim como o endividamento das famílias, que já compromete quase metade da renda anual. O comprometimento da renda com dívidas segue elevado, refletindo o impacto direto dos juros altos no orçamento doméstico.