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Caso Banco Master: juiz trava bens e cita desvios para luxo e fundos suspeitos

Por Brasil Direto

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Mendes defende atuação de Toffoli no inquérito do Banco Master

A 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou, nesta terça-feira (17), uma medida liminar para impedir a venda ou transferência de bens ligados ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A decisão foi assinada pelo juiz Adler Batista Oliveira Nobre, que apontou indícios de desvios bilionários envolvendo o patrimônio da instituição financeira.

A medida atende a um pedido da EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do banco, que identificou possíveis esquemas de movimentação irregular de recursos por meio de fundos de investimento e empresas utilizadas como intermediárias.

Na ação, foram incluídos como réus diversos fundos já citados nas investigações, como Astralo 95, Termopilas e Galo Forte, apontados como estruturas financeiras por onde teriam transitado valores ligados ao banco, ao ex-controlador e a seus sócios.

Também aparecem no processo empresas e pessoas ligadas ao caso, entre elas a Super Empreendimentos — investigada pela Polícia Federal por suspeita de atuar como canal de pagamentos a uma milícia privada e agentes públicos —, além do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e companhias como Pipe Participações e Moriah Asset Empreendimentos. O nome de Karolina Trainotti, ex-sócia e conhecida por se autodefinir como “sugar baby”, também foi citado.

A decisão judicial determina o registro do protesto em órgãos oficiais, como juntas comerciais, cartórios de imóveis e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O objetivo é alertar possíveis interessados sobre a existência de disputa judicial envolvendo esses bens, evitando alegações futuras de compra de boa-fé.

Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre o caso.

De acordo com os elementos apresentados pelo liquidante, fundos vinculados ao banco teriam realizado transferências milionárias sem justificativa econômica clara, especialmente para o fundo Astralo 95. Os advogados afirmam que o ex-controlador teria obtido ganhos expressivos a partir de operações financeiras cruzadas.

Segundo o processo, os recursos desviados teriam sido utilizados na aquisição de bens de alto valor, como imóveis de luxo e participações empresariais. Entre os exemplos citados estão uma mansão no Distrito Federal e apartamentos de alto padrão em São Paulo, registrados formalmente em nome de empresas e fundos, mas que, segundo as investigações, seriam usados por Vorcaro e pessoas próximas.

A decisão também menciona indícios de rápida dispersão e reorganização desses bens após a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Com base nessa medida, o liquidante pretende ingressar com ações para recuperar valores que teriam sido obtidos por meio da venda desses ativos.

Um dos casos destacados envolve a transferência de R$ 285,8 milhões do fundo Máxima 2 para o Astralo 95 pouco antes da liquidação da instituição.

Além disso, foram identificadas aquisições de alto valor, incluindo um imóvel no Distrito Federal avaliado em R$ 36,1 milhões e apartamentos de luxo em São Paulo, que, embora registrados em nome de empresas, seriam utilizados de forma particular.

Na decisão, o magistrado alertou que a ausência de uma medida imediata poderia facilitar a perda definitiva desses bens, prejudicando credores que aguardam ressarcimento.

A determinação judicial também alcança registros imobiliários fora de São Paulo, incluindo o Distrito Federal e Minas Gerais, locais onde estão concentrados ativos vinculados ao empresário e seus familiares.

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