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Com juros altos, inadimplência bate novo recorde no Brasil

Por Brasil Direto

O Brasil atingiu, em fevereiro de 2026, o maior número já registrado de pessoas inadimplentes: 81,7 milhões de CPFs com restrições. Os dados fazem parte do levantamento da Serasa Experian, que aponta uma sequência de recordes desde o início de 2025.

De acordo com a economista-chefe da instituição, Camila Abdelmalack, o principal fator por trás desse cenário é o nível elevado da taxa Selic, que segue pressionando o crédito e dificultando a recuperação financeira das famílias.

Segundo ela, não há sinais de melhora no curto prazo. Mesmo com uma possível redução dos juros, o patamar ainda deve permanecer restritivo. A especialista também destacou que o Banco Central do Brasil tem adotado uma postura mais cautelosa em relação ao ritmo de queda da taxa básica.

“As projeções que antes apontavam juros próximos de 12% já foram revistas para cima. Hoje, o mercado trabalha com estimativas em torno de 12,5% ao fim de 2026, enquanto as taxas de longo prazo seguem entre 13% e 14%”, explicou.

Outro fator que contribui para o aumento da inadimplência é a mudança no comportamento das instituições financeiras. Ainda segundo Abdelmalack, houve uma redução na oferta de crédito, especialmente nas modalidades mais acessíveis, o que leva consumidores a recorrerem a opções mais caras.

Além disso, a economista ressalta que a inflação tem papel importante nesse cenário, ao reduzir o poder de compra, principalmente entre as famílias de menor renda.

Em uma década, o número de brasileiros inadimplentes cresceu significativamente, saltando de 59 milhões, em 2016, para os atuais 81,7 milhões — uma alta de 38,1%.

Os dados também revelam o nível de comprometimento financeiro da população: em média, os brasileiros destinam cerca de 70,5% da renda ao pagamento de dívidas, indicando um grau elevado de endividamento.

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