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Do luxo à prisão: diálogos de Vorcaro mostram bastidores do Banco Master

Por Brasil Direto

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Vorcaro é tranferido de Guarulhos para presídio no interior de SP

Documentos analisados pela CPI que investiga o INSS revelam detalhes da rotina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, marcada por ostentação, contatos com autoridades e conflitos com adversários. O empresário foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (4), suspeito de liderar um esquema de fraudes e ameaças.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram Vorcaro relatando à então namorada, Martha Graeff, encontros com integrantes da alta cúpula dos três Poderes. Em uma conversa de abril de 2024, ele comentou um evento em Londres onde teria discursado diante de autoridades. “Eu sou muito louco. Essa realidade. Todos ministros do Brasil. Do STF. STJ. Etc. E euzinho discursando”, escreveu.

Nos diálogos, o empresário afirma ter participado de diversos encontros reservados com ministros e autoridades. Em um deles, segundo ele, teria participado de uma reunião restrita na casa de um ministro, com apenas dez convidados. Também relatou jantares com governadores e autoridades durante viagens internacionais.

As conversas também revelam um estilo de vida marcado por luxo. Vorcaro menciona compras de carros caros, imóveis em Miami e até a construção de um barco de alto valor que teria recebido uma proposta de US$ 100 milhões. Em outro trecho, cita uma festa de aniversário da filha, em 2023, cujo cachê do DJ Alok teria custado cerca de US$ 365 mil.

O ex-banqueiro também relatava encontros com figuras conhecidas da política e do empresariado, além de personalidades da televisão como Luciano Huck e Roberto Justus. Em uma das conversas, disse ainda ter conhecido o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

Apesar da imagem de sucesso que apresentava, os diálogos mostram momentos em que Vorcaro dizia enfrentar pressões e falava em uma suposta “guerra política” contra o banco. Ele afirmava que adversários tentavam impedir o crescimento do Master e comparou o setor bancário a uma “máfia”.

Paralelamente, o relatório da Polícia Federal descreve um cenário mais grave. Investigadores apontam que o empresário manteria um grupo privado chamado “A Turma”, que funcionaria como uma espécie de milícia. Entre os integrantes citados estaria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão.

De acordo com a investigação, mensagens no celular do ex-banqueiro também mencionam planos para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Em outra frente, Vorcaro teria contratado equipes para remover informações da internet relacionadas ao passado da namorada e monitorar um ex-companheiro dela.

Os documentos ainda revelam conversas sobre festas luxuosas e listas de convidados que incluíam nomes internacionais, como a empresária Ivanka Trump e o jogador de futebol Paul Pogba.

As mensagens analisadas pela CPI ajudam a traçar o perfil do empresário nos anos que antecederam sua prisão, misturando ostentação, articulação política e disputas no setor financeiro.

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