O dólar iniciou esta segunda-feira (30) com oscilações no mercado à vista, refletindo um cenário de incertezas no Brasil e no exterior. Após variar nos primeiros negócios do dia, a moeda norte-americana voltou a recuar e era negociada próxima de R$ 5,23 por volta das 9h40.
A movimentação é influenciada, em parte, por ajustes técnicos relacionados à formação da taxa Ptax de fim de mês e também do fechamento do primeiro trimestre, previsto para esta terça-feira. Ao longo de março, a moeda já acumula valorização próxima de 2%.
No cenário internacional, investidores seguem atentos à alta do petróleo, com o barril do Brent acima dos US$ 107. O avanço está ligado às tensões no Oriente Médio, que completam um mês e aumentam preocupações com inflação global e desaceleração econômica.
Enquanto isso, o dólar ganha força frente a moedas de países desenvolvidos e também em relação à maior parte das divisas emergentes, com exceção de algumas, como o peso mexicano e o próprio real em determinados momentos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que há negociações em andamento com um novo regime no Irã para encerrar o conflito, indicando avanços. No entanto, também sinalizou que, caso não haja acordo e haja bloqueio no Estreito de Ormuz, os EUA podem intensificar ações militares, mirando estruturas estratégicas ligadas à energia.
Na Europa, a inflação ao consumidor na Alemanha voltou a subir em março, chegando a 2,7% na comparação anual, segundo dados oficiais.
Já no Brasil, indicadores recentes reforçam o cenário de pressão inflacionária. O Boletim Focus apontou revisão para cima nas projeções do IPCA nos próximos anos. Para 2026, a estimativa subiu para 4,31%, se aproximando do teto da meta.
Outros dados também chamaram atenção: o IGP-M registrou alta em março após queda no mês anterior, enquanto o volume de crédito concedido pelos bancos teve retração em fevereiro. Além disso, os índices de confiança do comércio e dos serviços apresentaram queda, indicando cautela no setor produtivo.
No campo político, uma pesquisa recente mostra um cenário equilibrado para as eleições presidenciais. O senador Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 44,1%, apontando uma disputa acirrada.